Indústria nas Agulhas Negras tem peso quase três vezes maior que no Estado

Resende – A indústria tem nas Agulhas Negras um peso no mercado de trabalho quase três vezes superior ao registrado no conjunto do Estado do Rio de Janeiro. É o que mostra levantamento elaborado pela Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços de Resende a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), acumulados até julho de 2026.
Enquanto a indústria responde por 12,76% dos empregos formais no Estado do Rio, essa participação sobe para 30,63% no Sul Fluminense e chega a 35,26% nas Agulhas Negras. Na prática, a presença relativa do emprego industrial nas Agulhas Negras é aproximadamente 2,8 vezes a média fluminense.
Os números ajudam a dimensionar a importância do corredor industrial formado principalmente por Resende, Porto Real e Itatiaia. A Região das Agulhas Negras, considerando também Quatis, reúne 57.137 empregos formais. O estudo identifica forte especialização industrial justamente nos três primeiros municípios.
Porto Real tem 68% dos empregos na indústria
A concentração industrial fica ainda mais evidente quando os municípios são analisados separadamente. Em Porto Real, 67,91% dos empregos formais estão na indústria. Em Itatiaia, são 41,05%. Resende possui percentual menor, de 27,94%, mas se destaca pelo volume: são 10.954 empregos industriais.
Resende também possui o maior mercado de trabalho das Agulhas Negras. São 39.199 empregos formais, equivalentes a 68,6% dos 57.137 existentes nos quatro municípios. Além dos 10.954 postos industriais, são 19.055 em serviços, 7.159 no comércio, 1.678 na construção e 353 na agropecuária.
Essa composição diferencia Resende de municípios ainda mais especializados na atividade fabril. O município combina indústria com serviços, comércio e logística, enquanto Porto Real possui perfil mais diretamente associado à produção industrial.

Agulhas Negras abre 1.815 empregos

O estudo também mostra que a força econômica das Agulhas Negras não está apenas no estoque de trabalhadores. Os quatro municípios registraram saldo positivo de 1.815 empregos formais entre janeiro e julho de 2026.
Porto Real liderou, com 1.326 novas vagas líquidas, seguido por Resende, com 607. Quatis registrou saldo negativo de seis postos e Itatiaia perdeu 112. Mesmo assim, o resultado conjunto das Agulhas Negras ficou acima dos 1.594 empregos líquidos gerados em todo o Sul Fluminense no período.
O dado chama atenção porque significa que resultados negativos registrados em outros municípios reduziram o desempenho do Sul Fluminense como um todo.

Sul Fluminense concentra 13% dos empregos industriais do Rio

Quando o recorte é ampliado, a dimensão industrial da região fica ainda mais evidente. O Sul Fluminense reúne 210.356 empregos formais, dos quais 64.434 estão na indústria. Isso representa 30,63% do mercado formal regional.
Embora o Sul Fluminense represente apenas 5,45% do estoque total de empregos do Estado do Rio, concentra 13,07% dos empregos industriais fluminenses. Dentro do próprio Sul Fluminense, as Agulhas Negras possuem 27,16% dos empregos totais, mas concentram 31,27% dos empregos industriais da região.
Os números mostram que a indústria possui no interior do estado uma importância proporcional muito superior à média fluminense. Enquanto a economia estadual é fortemente concentrada em serviços — setor que representa 58,98% dos empregos —, o Sul Fluminense e, em particular, as Agulhas Negras mantêm uma estrutura produtiva com participação industrial.
Para a Prefeitura de Resende, os dados reforçam a importância de políticas de atração de investimentos, infraestrutura, inovação e qualificação profissional para ampliar a integração entre Resende, Porto Real, Itatiaia e Quatis e fortalecer o corredor econômico das Agulhas Negras. O próprio estudo aponta essa integração como uma oportunidade para consolidar a sub-região entre os principais eixos industriais, logísticos e tecnológicos do interior fluminense.

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Vinicius

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