Faro contra o crime: saiba como funciona o treinamento dos cães do BAC em VR
Volta Redonda – Faro apurado, disciplina e treinamento contínuo transformam os cães da recém-instalada 3ª Companhia do Batalhão de Ações com Cães (BAC), em Volta Redonda, em importantes aliados das forças de segurança na localização de armas, drogas e até explosivos. A unidade, que funciona no bairro Roma, já começou a atuar nos municípios do Sul Fluminense e apresentou resultados nas primeiras operações realizadas na região.
Os cães Puma, Milly e Kitana estão entre os animais que já participaram de ações policiais desde a implantação da companhia. Em operações na comunidade da Caixa D’Água, em Barra do Piraí, e na Vila Delgado, em Barra Mansa, o trabalho dos animais auxiliou os policiais nas buscas em áreas onde materiais ilícitos estavam escondidos.
Somadas, as duas operações resultaram na prisão de um homem por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e na apreensão de duas pistolas calibre .380, munições e drogas, entre maconha, cocaína, crack, haxixe e loló. Também foram recolhidos uma câmera com carregador, cintos táticos, coldres, uma balança de precisão e quatro celulares.
O trabalho é resultado de uma preparação que começa muito antes de o cão participar de uma ocorrência. Segundo o comandante do BAC, capitão Martires, a seleção dos animais pode começar ainda durante a amamentação. Características como atividade, interesse por objetos e disposição para disputa são observadas ao longo de diferentes etapas.
A preparação de um cão para o serviço policial leva, normalmente, de um ano a um ano e meio. Durante esse período, os animais são condicionados para identificar odores específicos e atuar em missões de patrulhamento e operações destinadas à localização de entorpecentes, armamentos e explosivos.
— Geralmente, toda a preparação leva de um ano a um ano e meio para eles estarem aptos e prontos para o serviço policial — explicou Martires.
O treinamento, entretanto, não se limita ao faro. O comportamento do animal também é determinante. Como os cães podem trabalhar soltos durante as buscas, precisam manter a concentração mesmo diante de pessoas, barulhos e outros estímulos encontrados durante uma operação.
— Muitas vezes o cão sabe reconhecer o odor, mas não é maduro o suficiente, até porque os nossos cães trabalham soltos e eles têm que ter a capacidade de não se distrair durante o serviço — destacou o comandante.
A rotina inclui ainda acompanhamento diário da saúde por médicos veterinários, alimentação controlada e treinamento permanente. Segundo Martires, a disciplina exigida é diferente daquela aplicada aos animais domésticos.
— Trabalhamos com vidas, com pessoas, então os nossos cães devem estar muito mais focados para o serviço e eles chegam a ser mais “militarizados”. Proporcionamos entretenimento, mas eles já saem dos seus boxes preparados para trabalhar — afirmou.
Companhia pode abrigar até 20 cães
A 3ª Companhia do BAC conta atualmente com 69 policiais militares e 11 cães, entre Pastor Belga Malinois, Golden Retriever e Labrador. A estrutura instalada em Volta Redonda possui capacidade para manter até 20 animais aquartelados.
Subordinada ao Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, a companhia atende os 20 municípios da área do 5º Comando de Policiamento de Área (CPA). A cobertura inclui as regiões de Volta Redonda, Barra do Piraí, Resende, Angra dos Reis e Paraty.
A instalação da unidade no Sul Fluminense permite que equipes especializadas e cães treinados sejam empregados em apoio aos batalhões da região, principalmente em ocorrências nas quais o faro dos animais pode ampliar a capacidade de localização de materiais escondidos.
Neto destaca primeiros resultados do BAC
O prefeito de Volta Redonda, Antonio Francisco Neto, comemorou os resultados das primeiras operações realizadas na região com participação dos policiais e cães da nova companhia. Neto participou das articulações com o Governo do Estado e construiu, com recursos da prefeitura, a instalação da unidade no bairro Roma.
“Fico muito satisfeito em saber do sucesso que já tiveram as participações dos cães e dos policiais do BAC nestas primeiras operações realizadas nas cidades vizinhas a Volta Redonda. Quando solicitamos ao Governo do Estado a instalação da unidade no Roma, foi com este objetivo: apertar o cerco sobre as organizações criminosas e tornar o nosso município e todos os outros da região locais cada vez mais seguros para as pessoas de bem viverem com tranquilidade. Parabéns a todos os envolvidos, e o trabalho continua”, afirmou o prefeito.
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Vinicius
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