Brasil precisa multiplicar por cinco número de data centers, defende Lopes
Brasília – O Brasil precisa acelerar a expansão de sua infraestrutura de data centers para não perder espaço na corrida mundial pela Inteligência Artificial e pelo armazenamento e processamento de informações. A avaliação é do deputado federal Julio Lopes (PP-RJ), que defende que o país multiplique por cinco sua atual capacidade, passando de cerca de 400 para 2 mil data centers até 2033/2035.
Segundo o parlamentar, o crescimento acelerado da Inteligência Artificial aumenta a necessidade de infraestrutura capaz de armazenar, processar e transmitir grandes volumes de dados. Para ele, embora o Brasil esteja atualmente entre os países com presença relevante nesse mercado, será necessário ampliar rapidamente os investimentos para acompanhar o ritmo internacional.
— O Brasil está hoje entre as 10 potências que mais possuem data centers, mas precisa acelerar com a máxima urgência o crescimento nesse sentido para não perder sua posição. A corrida pela informação e pela Inteligência Artificial é cada vez maior no mundo. Se não continuarmos a caminhar em passos largos, corremos o risco de ficarmos para trás — afirmou Julio Lopes.
O deputado estima que o país precisaria chegar a aproximadamente 2 mil unidades na próxima década.
— Na verdade, o Brasil teria que multiplicar por cinco sua capacidade para acompanhar o desenvolvimento mundial, já que hoje o país possui cerca de 400 data centers, mas precisaria saltar para 2 mil unidades até 2033/2035 para não perder a participação relativa na quantidade de informações e IAs que o mundo terá — disse.
O tema já está no centro das discussões no Congresso Nacional. Em junho, a Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara aprovou uma proposta para criar a Política Nacional de Data Center, estabelecendo regras para instalação e operação dessas estruturas e prevendo prioridade de acesso às redes de transmissão de energia em regiões onde exista excedente de geração. Para virar lei, a proposta ainda precisa avançar no Congresso.
Também tramita na Câmara proposta relacionada ao Redata, regime especial de tributação destinado aos serviços de data center. Julio Lopes apresentou, em fevereiro, juntamente com o deputado Vitor Lippi, uma emenda ao projeto que trata do regime.
Os data centers são estruturas essenciais para o funcionamento de serviços de nuvem, sistemas bancários, plataformas digitais, serviços públicos e, cada vez mais, aplicações de Inteligência Artificial. O crescimento da IA elevou a infraestrutura de processamento de dados a uma posição estratégica na disputa tecnológica entre países.
A expansão, porém, envolve desafios que vão além da construção das instalações. A disponibilidade de energia elétrica, a capacidade das redes de transmissão, o uso de água, o licenciamento ambiental e a infraestrutura de telecomunicações estão entre os pontos discutidos no Congresso. Em junho, outro debate realizado na Câmara defendeu a criação de regras específicas, especialmente ambientais, para a implantação de grandes centros de processamento de dados.
Para Julio Lopes, a velocidade dos investimentos internacionais aumenta a urgência da discussão no Brasil.
— A China e outros países constroem data centers em enormes quantidades e em uma velocidade assustadora. Precisamos agir agora — afirmou.
A discussão ocorre em um momento em que o país busca estabelecer regras e incentivos capazes de atrair novos investimentos para o setor. Para o parlamentar, ampliar a capacidade instalada será determinante para que o Brasil consiga acompanhar o crescimento da Inteligência Artificial e preservar espaço na economia digital mundial.
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Vinicius
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