FLIRC reúne literatura e memória em Rio Claro
Foto: SECOM/PMRC
Evento reuniu cerca de cinco mil pessoas nos dois dias de programação, com participação de escritores de diferentes regiões, lançamentos de livros, rodas de conversa e atividades para crianças
Rio Claro – A literatura ocupou o centro das atenções em Rio Claro durante a 8ª Feira Literária de Rio Claro (FLIRC). Encerrado neste sábado (15), o evento reuniu cerca de cinco mil pessoas nos dois dias de programação, com participação de escritores de diferentes regiões, lançamentos de livros, rodas de conversa e atividades para crianças.
Com o tema “Literatura, Memória e Pertencimento”, a feira buscou aproximar o público dos livros e, ao mesmo tempo, valorizar histórias e personagens ligados à identidade do município. A programação também contou, na sexta-feira (14), com a participação da escritora Thalita Rebouças.
Um dos destaques do último dia foi o lançamento do livro “Varela e a Magia das Palavras”, escrito por Teresinha da Rocha Pereira e Edilson dos Santos, com prefácio do escritor Júlio Emílio Braz, vencedor do Prêmio Jabuti.

Fagundes Varela para novas gerações
A obra apresenta a trajetória do poeta Fagundes Varela, nascido em Rio Claro, sob uma perspectiva voltada ao público infantil.
Teresinha da Rocha Pereira, que pesquisa há anos a vida e a obra do poeta, explicou que a proposta é aproximar Varela das novas gerações.
“Era preciso criar uma proximidade do Varela com o público infantil. Mostrar o crescimento dele desde pequeno, a alfabetização, o conhecimento com a leitura e como ele se descobre poeta ajuda nossas crianças a se identificarem com o poeta”, afirmou.

Segundo a autora, a história também busca mostrar às crianças que as diferenças podem fazer parte da construção de cada indivíduo.
“Espero que cada criança de Rio Claro se identifique com o Varelinha. Quando começamos a falar dele desde pequeno, não era o poeta, mas sim apenas uma criança. E ele pode ser qualquer uma hoje”, destacou.
Para Júlio Emílio Braz, incentivar novos autores e leitores é uma das funções da literatura.
“Faço de coração aberto. Estamos sempre investindo em novos autores. O que eu puder fazer para incentivar outras pessoas a se tornarem autores, eu farei”, disse.
O escritor também ressaltou a importância de compreender o universo infantil para estimular o hábito da leitura entre as crianças.

Escritores de diferentes regiões
A FLIRC recebeu 115 inscrições de autores independentes, dos quais 70 foram selecionados para participar da programação. Além de escritores do Sul Fluminense, o evento reuniu autores de cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Sorocaba, Brasília, Minas Gerais e Paraty.
Entre os participantes esteve a escritora Luciana Nunes, de Niterói, que apresentou pela primeira vez em Rio Claro o livro “Dandara e Katuá”.
“Estou amando o acolhimento e a receptividade que estou encontrando nesse lugar”, afirmou.

A programação de sábado também contou com bate-papos com Christiano Pereira do Amaral, sobre a obra “Valei-nos, São José”, e Henrique Carvalho, que participou de um encontro sobre o livro “Juntando as Peças”.
Outro destaque foi a roda de conversa “Literatura, pertencimento e representatividade: caminhos da educação para as relações étnico-raciais”, com participação de Mônica Melanie Alves Viana de Moraes, Alessandra Romualdo e Tábata Souza.

Literatura para as crianças
O público infantil também ganhou espaço na programação. A FLIRCZINHA ofereceu contação de histórias, recreação, jogos, escultura de balões e outras atividades voltadas à aproximação das crianças com os livros de maneira lúdica.
A programação literária dividiu espaço com o Festival Sabores do Vale do Café, reunindo cultura, gastronomia e entretenimento durante o fim de semana.
Com o encerramento, a FLIRC reforçou a proposta de transformar a literatura em instrumento de valorização da memória, da identidade e dos autores, além de estimular a formação de novos leitores no município.
Carol Berg





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