Inflação recua para 0,07% em julho e volta ao limite da meta

Foto: Marcello Casal Jr
Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 4,44% em 12 meses, voltando para dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo governo

País – A inflação oficial do país desacelerou pelo quarto mês consecutivo e ficou em 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi influenciado principalmente pela queda nos preços dos alimentos.

Com o resultado de julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 4,44% em 12 meses, voltando para dentro do intervalo de tolerância da meta de inflação definida pelo governo.

A meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o limite máximo é de 4,5%.

Em maio e junho, o acumulado em 12 meses havia ficado acima desse teto, em 4,72% e 4,64%, respectivamente.

O resultado de julho ficou em linha com a previsão do mercado financeiro. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a expectativa para a inflação ao fim de 2026 é de 5,02%.

Inflação em 2026

Confira a variação do IPCA ao longo do ano:

  • Janeiro: 0,33%
  • Fevereiro: 0,70%
  • Março: 0,88%
  • Abril: 0,67%
  • Maio: 0,58%
  • Junho: 0,16%
  • Julho: 0,07%

O resultado de julho foi o menor desde agosto de 2025, quando o índice havia registrado alta de 0,11%. Considerando apenas os meses de julho, foi a menor variação desde 2022.

Em julho, o índice de difusão, que mede a proporção de produtos e serviços que tiveram aumento de preços, ficou em 50%. Isso significa que metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE registrou alta.

Alimentos ajudam a conter inflação

O grupo Alimentação e bebidas apresentou deflação pelo segundo mês consecutivo. Em julho, a queda foi de 0,67%, contribuindo para reduzir o índice geral.

A alimentação consumida dentro de casa ficou 1,14% mais barata, principalmente devido à redução nos preços de tubérculos, raízes e legumes.

Entre os produtos que mais contribuíram para a queda estão:

  • Tomate: -29,09%;
  • Batata-inglesa: -19,59%;
  • Cenoura: -14,41%;
  • Café moído: -2,45%.

Segundo o IBGE, o café moído acumula queda de 17,2% em 12 meses, a maior redução para o produto desde o início do Plano Real, em 1994.

O instituto atribui parte da redução dos preços dos alimentos à maior oferta de produtos, favorecida pelas condições climáticas.

Energia elétrica pressiona índice

Na direção contrária, a energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho e foi o principal impacto individual de alta no IPCA, contribuindo com 0,13 ponto percentual para o índice.

Segundo o IBGE, a alta foi influenciada por reajustes aplicados em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba.

Para agosto, a expectativa é de redução no impacto da conta de luz sobre o orçamento das famílias devido ao desconto do chamado Bônus Itaipu, aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Transportes

No grupo Transportes, as passagens aéreas tiveram alta de 11,67%, sendo o principal destaque de aumento.

Já os combustíveis ficaram mais baratos. O etanol recuou 2,26%, a gasolina caiu 1,37%, o óleo diesel teve redução de 1,22% e o gás veicular ficou 0,08% mais barato.

Outros grupos

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro registraram queda em julho: Alimentação e bebidas (-0,67%), Vestuário (-0,66%), Educação (-0,03%) e, na prática, Artigos de residência ficou próximo da estabilidade, com alta de 0,07%.

Os demais apresentaram alta:

  • Habitação: 0,99%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,40%;
  • Despesas pessoais: 0,22%;
  • Transportes: 0,05%;
  • Comunicação: 0,04%.

O IPCA mede a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda de um a 40 salários mínimos. A pesquisa do IBGE acompanha 377 subitens em regiões metropolitanas, capitais e no Distrito Federal.

Carol Berg

Inflação recua para 0,07% em julho e volta ao limite da meta


Translate »