Angra 3: 11 anos parada e um custo de R$ 1 bilhão por ano
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História da usina começou em 1984, quando tiveram início as primeiras obras e a aquisição de equipamentos
Angra dos Reis – Paralisada há cerca de 11 anos, a construção de Angra 3 continua gerando elevados custos ao país sem produzir energia. Segundo estudos da Eletronuclear e do BNDES, a indefinição sobre o empreendimento custa aproximadamente R$ 1 bilhão por ano, sendo R$ 800 milhões destinados ao pagamento de financiamentos junto à Caixa Econômica Federal e ao BNDES e outros R$ 200 milhões para a manutenção do canteiro de obras, equipamentos e sistemas já adquiridos.
A história da usina começou em 1984, quando tiveram início as primeiras obras e a aquisição de equipamentos. O projeto foi interrompido ainda na década de 1980, retomado oficialmente em 1º de junho de 2010 e voltou a ser paralisado em 2015. Atualmente, o empreendimento apresenta cerca de 66% de execução física.
Além do impacto financeiro, o Brasil mantém em conservação equipamentos de alta tecnologia comprados há décadas, que exigem inspeções e manutenção permanentes. Estudos do BNDES indicam ainda que abandonar definitivamente Angra 3 custaria entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, valor semelhante — e em alguns cenários superior — ao necessário para concluir a usina, estimado em cerca de R$ 24 bilhões.
Quando entrar em operação, Angra 3 terá capacidade instalada de 1.405 megawatts, com geração anual de aproximadamente 12 milhões de MWh, suficiente para abastecer cerca de 4,5 milhões de pessoas. A conclusão elevará a produção da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto para o equivalente a 70% do consumo de energia do Estado do Rio de Janeiro, reforçando a segurança energética nacional e contribuindo para a redução das emissões de carbono.
O tema será destaque nesta quarta-feira (6), durante o lançamento da edição especial da revista Manchete Energia, promovido pela Frente Parlamentar Mista da Tecnologia e Atividades Nucleares, no Rio de Janeiro.
Para o presidente da Frente Parlamentar, deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ), a renegociação das dívidas da Eletronuclear é essencial para destravar o projeto.
“O governo negligenciou por muito tempo as dívidas de Angra 3, principalmente as que se referem à Eletronuclear e que precisam de uma renegociação urgente para que a empresa possa ganhar fôlego e se reestruturar, já que o complexo nuclear de Angra é considerado o sexto melhor do mundo em desempenho na área nuclear. Mas, para que isso ocorra, se faz necessário um saneamento e regularização.”
Carol Berg



