Amigas ou Rivais? Saiba como lidar com amizades tóxicas

3 amizades toxicas pag 5

Foto: Divulgação
Daniela Pereira é psicóloga

Por Diário Delas – Inveja diante de uma conquista, críticas disfarçadas de brincadeira, competição constante, ciúme de outras amizades e a sensação de precisar medir cada palavra. Comportamentos muitas vezes naturalizados nas relações entre amigas podem indicar que o vínculo deixou de ser saudável.

Em entrevista ao DIÁRIO DELAS nesta quarta-feira (5), a psicóloga clínica Daniela Pereira explica quais sinais ajudam a reconhecer uma amizade tóxica, por que pode ser tão difícil romper relações construídas ao longo dos anos e como estabelecer limites sem transformar o afastamento em uma guerra.

Clique e saiba mais sobre mulheres

Segundo ela, uma amizade saudável é a que exige respeito, reciprocidade e liberdade para a pessoa ser quem é. “Quando a relação começa a gerar mais sofrimento do que bem-estar, é um sinal de alerta. Se a pessoa percebe que sai dos encontros sempre esgotada emocionalmente, que precisa medir as palavras por medo da reação do outro, ou se sente que está sendo constantemente julgada, desvalorizada ou manipulada, essa amizade pode ter deixado de ser saudável”, diz Daniela.

A especialista aponta ainda que outro aspecto importante é observar se existe equilíbrio na amizade. “Toda amizade passa por conflitos e momentos difíceis, mas quando apenas um dos lados doa, escuta, compreende e cede, enquanto o outro apenas exige, a relação tende a se tornar um desgaste muito grande”, pontua, acrescentando que um exemplo comum é aquela amiga que só procura quando precisa de ajuda, mas desaparece quando é você quem precisa de apoio. “Com o tempo, a relação deixa de ser uma troca e passa a ser um peso emocional”, avalia.

Controle e manipulação

Ainda de acordo com a psicóloga, existem comportamentos que surgem com bastante frequência em amizades desgastantes. O primeiro deles, aponta, é a questão do controle. “É aquela amizade em que a pessoa tenta decidir com quem você pode sair, sente ciúme de outras amizades, ou faz você se sentir culpada por não a colocar sempre em primeiro lugar. Também podemos observar: críticas constantes, muitas vezes disfarçadas de brincadeiras; comparações e competição; desvalorização das suas conquistas; chantagem emocional; falta de respeito pelos limites do outro”, enumera.

Daniela afirma que outro comportamento muito comum é a manipulação. Por exemplo, imagine uma mulher que finalmente consegue uma promoção no trabalho. Em vez de comemorar, a amiga minimiza a conquista dizendo que ‘qualquer pessoa conseguiria essa promoção’, ou muda rapidamente de assunto para falar de si mesma.

“Aos poucos, isso afeta a autoestima e faz com que a pessoa pare de compartilhar suas alegrias, não só com essa amizade, mas com outras também. Amizades saudáveis celebram conquistas, acolhem as dificuldades e não transformam o outro em um competidor”, analisa.

Uma questão, porém, salta aos olhos: por que tantas mulheres têm dificuldade de se afastar de uma amizade que lhes faz mal? De acordo com Daniela Pereira, muitas foram ensinadas socialmente a cuidar dos outros, evitar conflitos e manter relações a qualquer custo. “Por isso, quando percebem que uma amizade faz mal, costumam sentir culpa por querer se afastar”, explica.

Além disso, pontua, existem o medo da solidão, o apego à história construída ao longo dos anos e a esperança de que a pessoa mude.

“‘Ela vai mudar’, ‘ela vai fazer diferente’, ‘eu confio nessa pessoa’, ‘eu acredito’. Na psicologia, sabemos que o tempo de uma relação não garante que ela continue saudável. Às vezes, nós insistimos em manter um vínculo apenas porque ele existe há muitos anos, mas esquecemos de nos perguntar se ele ainda nos faz bem”, avalia a psicóloga, acrescentando ser importante lembrar que estabelecer limites não é egoísmo.

“Às vezes, precisamos quebrar o ciclo porque a amizade não faz mais sentido naquele momento. Cuidar da própria saúde emocional também é uma forma de autocuidado”, acrescenta.

Término saudável

Mas como encerrar uma amizade de forma saudável, sem machucar e sem carregar culpa? “Nem toda amizade precisa terminar com um grande conflito. Em muitos casos, o afastamento acontece de forma natural, quando percebemos que os caminhos e os valores não são mais os mesmos”, diz Daniela, acrescentando que, quando for necessário conversar, vale a pena falar com respeito, honestidade e firmeza, sem acusações ou tentativas de convencer o outro de que ele está errado.

“Podemos dizer algo como: ‘Neste momento da minha vida, eu preciso me afastar porque essa relação já não está me fazendo bem’. É preciso ser bem sincero e honesto consigo mesmo e com o outro”, sugere, lembrando que também é importante entender que colocar um limite não significa deixar de reconhecer os momentos bons que aquela amizade teve.

“Finalizar uma relação também pode ser um ato de cuidado, tanto consigo mesmo quanto com o outro. A culpa costuma diminuir quando entendemos que preservar a nossa saúde emocional não é um ato de egoísmo, mas sim de responsabilidade consigo mesmo”, conclui.

 

Mayra Gomes

Amigas ou Rivais? Saiba como lidar com amizades tóxicas


Translate »