Witzel desiste de candidatura ao Governo do Rio e declara apoio a Garotinho
O ex-governador Wilson Witzel vai apoiar Gatrotinho (crédito Arquivo DB)
Estado do Rio — O ex-governador Wilson Witzel (Democrata) anunciou, neste sábado (1º), a retirada de sua pré-candidatura ao Governo do Rio de Janeiro e declarou apoio ao também ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) na disputa pelo Palácio Guanabara nas eleições de outubro. Witzel sofreu impeachement e foi cassado em 30 de abril de 2021, após denúncias de desvios em hospitais de campanha durante a Pandemia da Covid-19.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Witzel afirmou que a movimentação busca evitar a pulverização do voto de direita no estado e aumentar as chances do grupo de avançar ao segundo turno. Segundo ele, a estrutura partidária do Republicanos está mais preparada para uma campanha majoritária, enquanto o Democrata — sigla que herdou a legenda do antigo PMB (Partido da Mulher Brasileira) — ainda passa por reorganização interna e não tem acesso ao fundo partidário.
“Temos um capital político que não pode ser desperdiçado”, disse o ex-governador, ao justificar a decisão de recuar da corrida majoritária em nome da união do campo.
Apesar do apoio, Witzel descartou compor a chapa como vice-governador. Ele relatou que apresentou a Garotinho, em reunião realizada na sexta-feira (31), propostas para as áreas de economia, segurança pública e políticas sociais. A aliança deve ser formalizada ainda neste sábado, durante a convenção partidária do Democrata.
Trajetórias que se cruzam
Ao explicar a aproximação com um antigo adversário político, Witzel destacou que ambos compartilham histórico de embates com a Justiça. Ele lembrou que os processos que resultaram nas prisões preventivas de Garotinho foram posteriormente anulados. Já o próprio Witzel, deposto do governo em 2020 e alvo de impeachment em 2021, segue respondendo a ações penais no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, segundo ele, pouco avançaram desde a abertura.
Witzel também tratou da relação com o atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), a quem descartou apoiar. O ex-governador associou o parlamentar ao grupo político de Cláudio Castro, que assumiu o comando do estado após seu afastamento — e que foi, até então, seu vice.
Próximos passos
Segundo Witzel, o Democrata poderá indicar o nome do candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Garotinho, caso as negociações entre as siglas avancem nos próximos dias. A definição deve ganhar contornos mais claros após a convenção partidária marcada para este sábado, em meio à corrida para consolidar o campo de direita antes do primeiro turno, previsto para outubro.
Osmar Neves
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