Parque do Itatiaia registra 36 espécies ameaçadas de extinção
Foto: Divulgação
Levantamento identificou 21 espécies de mamíferos e 15 espécies de aves
Itatiaia – Um monitoramento ambiental realizado no Parque Nacional do Itatiaia entre fevereiro e abril de 2026 registrou a presença de 36 espécies de vertebrados por meio de armadilhas fotográficas instaladas em diferentes pontos da unidade de conservação. A ação faz parte de uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Onçafari e a Jaguar Land Rover (JLR), iniciada em 2024, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a fauna local e fortalecer as estratégias de conservação.
Durante a campanha, foram obtidos 3.423 registros em fotos e vídeos, dos quais 1.454 correspondiam a animais. O levantamento identificou 21 espécies de mamíferos e 15 espécies de aves.

Entre os mamíferos registrados, apenas três eram de animais domésticos ou exóticos: bovinos (Bos taurus), com 19 registros; cães domésticos (Canis lupus familiaris), com dois registros; e javalis (Sus scrofa), espécie invasora, com quatro registros.
O estudo também confirmou a presença de diversas espécies ameaçadas de extinção. Foram registrados o queixada (Tayassu pecari), classificado como Vulnerável (VU); a onça-parda (Puma concolor), considerada Quase Ameaçada (NT); o gato-maracajá (Leopardus wiedii), Vulnerável (VU) pelo Ministério do Meio Ambiente; o gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus), classificado como Em Perigo (EN) no Brasil; e o gato-mourisco (Herpailurus yagouaroundi), também considerado Vulnerável.

Entre os registros considerados mais importantes estão as imagens de uma fêmea de gato-do-mato-pequeno acompanhada de um filhote na Trilha Rui Braga, na parte alta do parque; registros frequentes de onças-pardas em diferentes áreas da unidade; imagens de filhotes de queixada na parte baixa; e vídeos de um filhote de gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita) sendo transportado pela mãe.

Segundo o ICMBio, o monitoramento por armadilhas fotográficas é uma das principais ferramentas utilizadas para acompanhar a ocorrência das espécies, compreender seus padrões de comportamento e distribuição e produzir informações que auxiliam pesquisas científicas e o planejamento de ações voltadas à conservação da biodiversidade.
O Parque Nacional do Itatiaia, criado em 1937, é a unidade de conservação mais antiga do Brasil e abriga uma das mais importantes áreas remanescentes de Mata Atlântica do país. O monitoramento contínuo da fauna permite acompanhar a saúde dos ecossistemas e orientar medidas para proteção das espécies silvestres.

Carol Berg
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