Engenheiros da CSN esperam decisão da Justiça para destravar negociação salarial

Foto: Arquivo
Operação que poderá render de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões e contribuir para a redução do endividamento do grupo

Volta Redonda – As tratativas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2027 entre o Sindicato dos Engenheiros de Volta Redonda (Senge-VR) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) chegaram a um impasse. Depois que a categoria rejeitou por ampla maioria a primeira proposta apresentada pela empresa, as conversas entre as partes ficaram paralisadas — e agora o desfecho da negociação passa a depender de uma decisão da Justiça do Trabalho.

Bola com a Justiça

Diante do impasse, o Senge-VR recorreu à Justiça do Trabalho para intermediar uma mesa redonda com a CSN e viabilizar novas definições sobre o acordo. É nessa mesa — ainda a ser convocada — que a categoria deposita a expectativa de aproximar as partes de um consenso. Caso as tratativas continuem sem avanço, a alternativa seguinte seria o dissídio coletivo.

Segundo o diretor administrativo-financeiro do Senge-VR, Sidney Francisco, a CSN prorrogou o prazo para a negociação até o dia 31 de julho, mantendo em vigor os direitos do acordo anterior enquanto a data-base fica em aberto. Francisco afirma que as tratativas diretas com a empresa estão paradas, o que reforça a aposta do sindicato na intervenção judicial como caminho para reaproximar as partes.

A categoria representada no acordo é numerosa: de acordo com o diretor do sindicato, a CSN tem 550 engenheiros atuando especificamente na função e outros 880 empregados com formação em engenharia distribuídos em outras funções, como analistas.

O que pede a categoria?

A pauta de reivindicações apresentada pelo Senge-VR para o ACT 2026/2027 é ampla e toca em salários, benefícios e condições de trabalho. Entre os principais pontos:

  • Reajuste salarial a partir de 1º de maio de 2026, com reposição plena do INPC acumulado entre maio de 2025 e abril de 2026, além de um adicional de 5% para recompor perdas de acordos anteriores.
  • Piso salarial vinculado ao salário mínimo profissional da categoria (Lei nº 4.950-A), hoje em R$ 10.302,00, estendido também aos assistentes técnicos.
  • Plano de saúde com cobertura ampliada, redução da coparticipação em consultas, exames e pronto-socorro, e menos burocracia no atendimento.
  • Cartão alimentação reajustado para R$ 1.800,00 mensais, sem custo para o empregado, além de uma carga extra do mesmo valor em dezembro.
  • PPR (Participação nos Resultados) garantido para 2027, com retomada das comissões eleitas pelos próprios empregados.
  • Abono referente a 2025, equivalente a três salários, para quem trabalhou na empresa até 31 de dezembro daquele ano, respeitada a proporcionalidade.
  • Pagamento de horas extras para engenheiros que não registram ponto, nos mesmos moldes já aplicados a supervisores e coordenadores.
  • Auxílio-creche estendido a pais homens com filhos comprovados, com regras específicas em casos de ambos os cônjuges empregados na CSN ou de separação do casal.
  • Plano de cargos e salários, com a criação de uma comissão paritária entre sindicato e empresa para revisar critérios da carreira.
  • Outros itens tratam da contribuição assistencial a ser descontada de não associados, do direito de oposição a esse desconto, da definição do que conta como “empregado engenheiro” dentro do Grupo CSN (que reúne CSN, CSN Cimentos, CSN Aços Longos e CSN Galvasud) e do reajuste das diárias de viagem.

Por que a proposta da CSN foi recusada

A proposta apresentada pela CSN chegou a ser submetida à categoria duas vezes e, em ambas as ocasiões, foi rejeitada por votação secreta — um processo que o Senge-VR classifica como democrático e representativo da vontade dos engenheiros.

Segundo o sindicato, o problema não se resumia a um reajuste considerado abaixo das expectativas: a oferta da empresa consolidava uma política de achatamento salarial que, ano após ano, corrói o poder de compra da categoria. Os números apresentados pelo Senge-VR ilustram o tamanho do problema. Entre 2020 e 2025, os engenheiros e engenheiras já acumularam perdas salariais de 29%. Caso a proposta da CSN tivesse sido aceita, essas perdas subiriam para 34,2% — um agravamento significativo da defasagem salarial da categoria.

Diante desse cenário, a diretoria do sindicato reconhece que a dúvida sobre se a recusa foi a decisão certa só será respondida com o desfecho das negociações, mas afirma ter a convicção de que a decisão refletiu a vontade da categoria e foi tomada com responsabilidade. Para o Senge-VR, a rejeição não encerra a negociação — pelo contrário, fortalece a busca por uma proposta que valorize efetivamente os engenheiros.

Desde a recusa, a empresa não avançou com uma nova contraproposta, o que levou o sindicato a recorrer à Justiça do Trabalho como forma de reabrir o diálogo.

Categoria é convocada para assembleia

Para manter os associados informados e alinhados sobre os próximos passos, o Senge-VR convocou uma assembleia de esclarecimento para o dia 14, terça-feira, às 18 horas, na sede do sindicato, na Rua Vinte e Um, 48, na Vila Santa Cecília, em Volta Redonda (RJ). O sindicato reforça o discurso de mobilização com o lema “quem sabe faz a hora, não espera acontecer” e reafirma que permanecerá firme na defesa dos interesses da categoria, mantendo todos informados sobre cada avanço nas negociações.

Com o prazo estendido até 31 de julho e o processo agora nas mãos da Justiça, a categoria acompanha o caso na expectativa de que a mediação judicial obrigue as partes a se sentarem novamente à mesa — e, com isso, aproxime a CSN de uma proposta mais próxima das reivindicações apresentadas pelos engenheiros.

Mayra Gomes

Engenheiros da CSN esperam decisão da Justiça para destravar negociação salarial


Translate »