Gustavo Tutuca: “Eu sou do interior. E o Rio também é”
Foto: Divulgação
Tem uma expressão que está em alta hoje, não apenas na política, mas no dia a dia das pessoas: “lugar de fala”. Confesso que tenho um pé atrás com ela. Virou clichê, virou slogan de quem quer se posicionar como diferente. Mas vou usá-la aqui, com a consciência de que é clichê, porque talvez seja a forma mais atual de explicar o que sinto quando falo do interior do Rio de Janeiro: eu tenho lugar de fala. Eu sou de lá.
Nasci e cresci em Piraí, no Sul Fluminense. Não conheço o interior do estado por relatórios de especialistas, pelos indicadores socioeconômicos ou pelas viagens protocolares de quem visita uma vez por ano para tirar foto na praça. Eu conheço porque vivi lá, sei o que é depender de uma estrada esburacada para escoar a produção. Sei o que é a economia de uma cidade pequena respirar ou sufocar dependendo de uma decisão tomada a quilômetros de distância, na capital. Esse conhecimento não vem de pesquisa. Vem de presença, de memória. Muitas dessas memórias vendo, de perto, o eterno prefeito Tutuca em seus quatro mandatos na prefeitura de Piraí.
Por isso, quando assumi a Secretaria de Estado de Turismo em 2020 no momento mais sombrio que o setor já viveu, com o mundo parado pela pandemia, eu me fiz duas perguntas: “como reconstruímos o turismo do Rio de Janeiro?”. E a segunda: “como fazemos isso chegar até o interior”.
O Rio de Janeiro que todo mundo conhece está em Copacabana, no Cristo Redentor, no Pão de Açúcar… mas o Rio de Janeiro que eu conheço vai muito além. Também é o Vale do Café, com suas fazendas centenárias; Visconde de Mauá, com sua serra e seu friozinho de cortar; a Costa do Sol, com suas praias paradisíacas; Paraty colonial dividindo a cena com Penedo e sua colônia finlandesa; Petrópolis, uma verdadeira cidade imperial.
O Rio de Janeiro é cada cidade das 12 regiões turísticas que têm história, cultura, gastronomia e que durante décadas ficou fora do mapa turístico simplesmente porque ninguém com poder de decisão enxergava esse Rio.
Eu enxergo. Porque eu sou desse Rio.
Os números, hoje, confirmam que essa visão estava certa. Em 2025, o estado recebeu 2,2 milhões de turistas internacionais, o melhor resultado em três décadas. No primeiro trimestre de 2026, o Rio de Janeiro se tornou o estado que mais recebeu estrangeiros em todo o Brasil, superando São Paulo.
Mas o que mais me orgulha não está apenas nesses números. Está nas mais de 330 ações de promoção realizadas desde 2021, levando o Rio para o Brasil e para o mundo. E principalmente nas centenas de eventos que ajudamos a trazer para o interior. Entre eles, as edições da ExpoRio Turismo, que em 2025 e 2026 percorreram Angra dos Reis, Bom Jardim, Penedo e Ipiabas, oferecendo capacitação, negócios, cultura, gastronomia, entretenimento e artesanato a cidades que nunca tinham recebido um evento daquele tamanho.
Meu orgulho está ver a alta ocupação hoteleira no interior durante todo o ano, mas também no protagonismo que as regiões vêm ganhando, e na geração de emprego e renda para a população. O turismo impacta diretamente mais de 50 atividades econômicas e nunca mais na história do Rio de Janeiro pode deixar de ser tratado como política pública.
Após mais de 5 anos de muito trabalho pelo turismo, estou de volta à Assembleia Legislativa, com a missão de presidir a Comissão de Orçamento e de tomar decisões importantes, que impactam diretamente a vida de todos nós.
Sei que muitas vezes estou, fisicamente, mais distante do interior do que estive nos últimos anos. Sei também que algumas pessoas sentem essa distância. E entendo. Proximidade física importa. Eu cresci esperando que alguém da capital olhasse para a minha cidade com atenção de verdade.
Mas essa distância física de hoje não significa que eu estou longe. É na capital que se decide o orçamento que chega aos municípios do interior. É na Comissão que presido que se define se uma cidade vai ter critério justo de acesso a recursos do Estado, ou vai continuar competindo em desvantagem com quem já tem mais estrutura. Não estou menos presente. Estou presente de outra forma, em outro lugar da engrenagem, naquele que define se o resto vai funcionar.
Essa relação entre o lugar de onde venho, por onde passei e o lugar onde estou hoje é, de certa forma, o fio condutor do livro “Turismo: da retomada ao recorde — o maior desafio da minha vida pública”. Foram meses debruçados sobre ele, revisitando minha história, minha infância e onde eu conto os bastidores desses anos à frente do turismo fluminense. São relatos de decisões difíceis, de aprendizados constantes e de momentos que me marcaram profundamente ao longo dessa jornada.
Não é um livro sobre números, embora eles estejam lá. É um livro sobre a convicção de que é possível amar o Rio de Janeiro inteiro, da praia à serra, da capital ao distrito mais longínquo do interior, e fazer desse amor a vontade de construir uma política pública concreta para mudar não apenas os destinos turísticos, mas também os nossos destinos.
Eu sou do interior. E o Rio também é.
Gustavo Tutuca – Deputado Estadual
Mayra Gomes



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