Emissões globais por incêndios atingem menor nível em 24 anos, aponta Copernicus
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Emissões ultrapassavam 1 gigatonelada de carbono, e nunca haviam ficado abaixo de 500 megatoneladas
Nacional – As emissões globais de gases de efeito estufa provocadas por incêndios florestais atingiram o menor nível dos últimos 24 anos no primeiro semestre de 2026. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (6) pelo observatório europeu Copernicus, que monitora as condições climáticas e ambientais em todo o mundo.
Entre janeiro e junho deste ano, os incêndios emitiram menos de 400 megatoneladas de carbono, o menor volume desde o início da série histórica, em 2003. Na época, as emissões ultrapassavam 1 gigatonelada de carbono, e nunca haviam ficado abaixo de 500 megatoneladas.
Segundo o Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS), utilizado pelo Copernicus, a redução foi impulsionada principalmente pela diminuição dos incêndios sazonais na África tropical. O continente africano registrou 154 megatoneladas de carbono no período, contra 213 megatoneladas no mesmo intervalo de 2025.
A Ásia também apresentou queda significativa, passando de 164 para 113 megatoneladas de carbono emitidas. Na América do Sul, onde historicamente os índices já são menores, as emissões recuaram de 40,9 para 38,8 megatoneladas de carbono.
Apesar da redução, o continente sul-americano registrou focos importantes de incêndio durante o semestre, especialmente na região de Biobío, no Chile, e na província de Chubut, na Patagônia argentina.
Na Austrália, a maior atividade de incêndios ocorreu no estado de Victoria, no início de janeiro, em meio a temperaturas recordes.
Alerta para o segundo semestre
O cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, Mark Parrington, destacou que os incêndios registrados nas últimas semanas na Eurásia e na América do Norte acendem um sinal de alerta. Segundo ele, a consolidação do fenômeno El Niño pode favorecer condições mais secas em diversas regiões do planeta, aumentando o risco de queimadas.
Parrington lembra que, em anos anteriores de El Niño, como 2015 e 2019, houve um aumento expressivo das emissões provocado pelos incêndios na Indonésia, que geraram intensa fumaça, pioraram a qualidade do ar e afetaram milhões de pessoas.
O monitoramento do Copernicus é realizado com imagens de satélite, que permitem calcular a intensidade dos incêndios, estimar as emissões de carbono e outros poluentes, além de prever a evolução dos focos com base em dados meteorológicos do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). Com informações da Agência Brasil.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
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