Rio reforça ações para enfrentar impactos do El Niño

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Foto: Divulgação
Sul Fluminense pode ter inverno mais quente e seco

Estado do Rio – O Governo do Estado do Rio de Janeiro intensificou as ações de prevenção e resposta aos efeitos do El Niño, fenômeno climático que deve influenciar as condições meteorológicas no segundo semestre de 2026. A expectativa é de temperaturas acima da média histórica, ondas de calor mais frequentes, períodos de estiagem alternados com chuvas intensas, aumento do risco de incêndios florestais e pressão sobre os sistemas de abastecimento de água e energia.

Segundo projeções internacionais, há 96% de probabilidade de o fenômeno permanecer ativo até o verão de 2027. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também confirma que o El Niño já está estabelecido e prevê temperaturas acima da média em grande parte do país durante o segundo semestre. Para o mês de julho, a previsão indica chuvas abaixo da média histórica em boa parte da Região Sudeste, incluindo o estado do Rio de Janeiro, enquanto o calor tende a permanecer acima do normal.

Reflexos no Sul Fluminense

Para o Sul Fluminense, o cenário previsto pelo Inmet aponta um inverno com predominância de tempo mais seco e temperaturas elevadas para a época, favorecendo a redução da umidade do ar e aumentando o risco de queimadas em áreas de vegetação. Embora episódios de chuva intensa possam ocorrer de forma isolada, a tendência para julho é de precipitação abaixo da média climatológica na região.

Monitoramento permanente

As ações do governo estadual são coordenadas pela Secretaria de Estado de Defesa Civil, que acompanha a evolução do fenômeno por meio do Centro Estadual de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, em funcionamento 24 horas por dia.

O estado também estruturou uma Força Especializada da Defesa Civil para atuar em qualquer região fluminense em situações de desastre. Paralelamente, o Corpo de Bombeiros colocou em prática a Operação Extinctus 2026, destinada à prevenção e ao combate aos incêndios florestais durante o período de estiagem, com equipes especializadas e utilização de recursos terrestres e aéreos.

Água e energia

A Secretaria do Ambiente e Sustentabilidade desenvolve ações para ampliar o monitoramento climático e hidrológico, proteger os sistemas de abastecimento de água e acompanhar as condições da Bacia do Paraíba do Sul, considerada estratégica para o fornecimento de água no estado.

No setor elétrico, o Centro de Gerenciamento de Riscos e Emergências em Energia está finalizando um Plano de Contingenciamento elaborado em conjunto com as concessionárias Light, Enel e Energisa. O objetivo é fortalecer a infraestrutura e ampliar a capacidade de resposta diante de eventos climáticos extremos.

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) também ampliou o monitoramento dos mananciais com a inauguração de um Centro de Monitoramento Ambiental, equipado com sensores, drones, câmeras de alta tecnologia e sistemas de acompanhamento em tempo real das principais bacias hidrográficas.

Saúde pública

Na área da saúde, a Secretaria de Estado de Saúde mantém desde 2024 um conjunto de ações voltadas à adaptação às mudanças climáticas. Entre as medidas estão o monitoramento diário de ondas de calor, chuvas intensas e riscos ambientais, além de painéis que auxiliam os 92 municípios fluminenses no acompanhamento dos impactos climáticos sobre a população.

De acordo com o Inmet e demais órgãos federais de monitoramento climático, o acompanhamento constante das condições meteorológicas será fundamental nos próximos meses, já que o El Niño poderá ganhar intensidade entre a primavera e o verão, ampliando seus impactos em diferentes regiões do país.

Ana Carolina Garcia Berg de Marco

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