Sesc Barra Mansa abre exposição inédita de Mariana Paraizo

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Foto – Divulgação
Mostra gratuita reúne obras que dialogam com os espaços urbano e doméstico e permanece em cartaz até 4 de outubro

Barra Mansa – O Sesc Barra Mansa, através do edital Sesc Pulsar, apresenta “Construir o Aberto”, primeira exposição individual de Mariana Paraizo. Com curadoria de Ana Carla Soler e Julia Baker, a mostra reúne cerca de 30 obras, entre esculturas, fotografias, gravuras e desenhos, numa reflexão sobre os limites entre a casa e a rua, entre o doméstico e o público. O evento abre nesta sexta-feira (3) e fica em cartaz até 4 de outubro de 2026.

No dia da abertura, a artista e as curadoras, que vivem no Rio de Janeiro, estarão no local para visitas guiadas com o público. Com entrada gratuita, a mostra amplia o acesso à arte contemporânea no interior do estado do Rio de Janeiro, apresentando trabalhos que já circularam por importantes instituições culturais no Brasil e no exterior.

Doutoranda e mestre em Linguagens Visuais, graduada em escultura pela UFRJ, Mariana Paraizo já expôs no Museu de Arte do Rio, no MAM Rio e seu trabalho artístico já circulou por países como Canadá, França, EUA, Haiti, Argentina, entre outros. Para o Sesc Barra Mansa, a artista traz uma obra inédita: “Domo Dromo” (1,60m x 2m x 20cm), um conjunto de delicadas cúpulas de lustre de vidro apresentadas com rodas, na forma de carrinhos, numa referência aos limites entre os espaços interior e exterior urbanos. Destaque também para “Amortecimentos” (20,5cm x 21,9cm), série de oito gravuras em relevo seco, impressas com pedaços de solas de tênis e outros sapatos encontrados na rua. Em “Condomínio” (1,80m x 1m x 1m), a artista apresenta uma instalação composta de dezenas de caixas de ovos feitas em argamassa e concreto, articula ideias de abrigo e moradia, fragilidade e resistência. Entre os desenhos, destaca-se “Projeto para muro”, elaborado em giz pastel oleoso sobre papel (35 cm x 50 cm).

Ao longo da mostra, Mariana Paraizo retira elementos banais do cotidiano de seus contextos habituais, provocando estranhamento e deslocamento de sentidos. Calçadas, bueiros e carros aparecem inesperadamente ao lado de camas, sofás ou tapetes. “Ao mesmo tempo em que encontramos signos do doméstico na rua, também levamos para dentro de casa questões que pertencem ao campo público. Meu trabalho fala desse atravessamento de fronteiras, desse movimento contínuo entre os territórios do íntimo e do público. É a inevitabilidade do desejo do desvio”, diz a artista, que participou de residências na FAAP, no Instituto Hilda Hilst e na Despina.

Segundo Julia Baker, na poética de Mariana Paraizo, objetos e elementos simbólicos circulam entre os universos doméstico e da rua, desafiando as percepções habituais. “A artista observa os limites entre os espaços públicos e privados, mas também os pontos em que eles se cruzam. Esse deslocamento provoca o olhar e desperta novas interpretações”, diz a curadora. “A produção de Mariana estabelece um diálogo com o espectador a partir de referências simples do dia a dia. Ao serem retirados de seus contextos originais, esses elementos ganham novos sentidos e abrem caminho para diferentes leituras. O nome da exposição, ‘Construir o Aberto’, remete a essa liberdade de imaginar e construir outras formas de ocupar os ambientes que compartilhamos”, finaliza Ana Carla Soler.

 

 

 

 

 

 

Mayra Gomes

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