Galpão de pneus incendiado na Beira-Rio tinha histórico de irregularidades

evandro rescaldo

Foto: Evandro Freitas
Causa oficial ainda é desconhecida, e o que a reportagem apurou no local e com fontes ligadas ao caso levanta questionamentos que as autoridades precisarão responde

Volta Redonda – O incêndio que destruiu um galpão de pneus na Avenida Beira-Rio, em Volta Redonda, na noite de quarta-feira (24), terminou sem feridos, mas abriu uma série de dúvidas sobre as circunstâncias que cercavam o imóvel antes das chamas. A causa oficial ainda é desconhecida, e o que a reportagem apurou no local e com fontes ligadas ao caso levanta questionamentos que as autoridades precisarão responder.

O primeiro ponto que chama atenção é o histórico do proprietário do galpão. Segundo informações exclusivas obtidas pela reportagem, ele teria mantido outro depósito no bairro Vila Mury, interditado no início deste ano por questões de regularização. Após a interdição, parte dos materiais armazenados naquele local teria sido transferida para o imóvel da Beira-Rio, o mesmo que pegou fogo.

Se confirmado, o dado indica que o galpão incendiado pode ter funcionado como destino improvisado para um acervo de pneus que não tinha onde ficar, sem as condições mínimas de segurança para armazenar material de alta inflamabilidade.

Esse detalhe também ajuda a entender a intensidade do incêndio. Pneus acumulam grande carga combustível, produzem calor elevado e fumaça densa quando queimam, e dificultam significativamente o combate. Foi exatamente esse cenário que obrigou os bombeiros a montarem uma operação especial, com captação de água diretamente do Rio Paraíba do Sul.

Pessoas em situação de rua usavam o galpão como abrigo

O segundo ponto levantado pela apuração é ainda mais sensível. Segundo relatos colhidos após o incêndio, pessoas em situação de rua estariam usando o galpão como abrigo improvisado para passar a noite. As suspeitas indicam que o espaço vinha sendo invadido e utilizado para permanência noturna.

Não há confirmação oficial sobre a presença dessas pessoas no momento do incêndio, e tampouco existe qualquer evidência que relacione essa possível ocupação ao início do fogo. Mas a situação chama atenção: um imóvel com grande quantidade de material altamente inflamável, aparentemente sem controle de acesso, sendo usado como dormitório improvisado.

O fogo que ultrapassou o galpão

As chamas não ficaram restritas ao imóvel principal. Pelos fundos, na Rua das Camélias, um segundo galpão, de outro proprietário, sem qualquer ligação com o caso, foi atingido quando o fogo derrubou a parede que separava os dois espaços. Três caminhões que estavam no local foram retirados a tempo.

Ao lado desse segundo galpão, um casal de idosos, de 83 e 78 anos, dormia sem perceber o avanço das chamas. Foram os vizinhos que correram até a casa e os acordaram. O neto do casal, Gleidson da Silva, descreveu o momento.

“Minha avó ouviu barulhos (dos vizinhos na porta), achou que era alguém no quintal. Quando viu, o fogo já estava atrás da casa”, contou. Parte do fundo da residência foi atingida e objetos precisaram ser retirados às pressas.

O que falta responder

A causa do incêndio segue desconhecida. As autoridades precisarão apurar se o galpão funcionava de forma regular, se havia alvará para o armazenamento de pneus naquele volume, qual a relação entre o material transferido do depósito interditado em Vila Mury e o que estava no imóvel e se a possível presença de pessoas no local tem alguma ligação com o início do fogo.

A Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros ainda não se manifestaram oficialmente sobre a origem das chamas. A reportagem acompanha o caso.

 

Mayra Gomes

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