CNC/Serasa: endividamento bate recorde no Brasil
Foto: Divulgação
Dados históricos do Serasa colocam o Rio de Janeiro consistentemente entre os estados com maior percentual de população adulta inadimplente do país
Rio de Janeiro – O endividamento das famílias brasileiras atingiu em maio de 2026 o maior índice de toda a série histórica: 81,6% das famílias relataram ter dívidas a vencer, segundo pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. O número representa aumento de 3,4 pontos percentuais em relação a maio de 2025, quando o índice era de 78,2%, e crescimento de 0,7 ponto em relação a abril deste ano, quando marcava 80,9%.
O quadro é ainda mais grave no Estado do Rio de Janeiro. Dados históricos do Serasa colocam o Rio de Janeiro consistentemente entre os estados com maior percentual de população adulta inadimplente do país, figurando em segundo lugar no ranking nacional, com mais de 53% da população fluminense negativada em levantamentos recentes. Para a região Sul Fluminense — que concentra cidades industriais como Volta Redonda, Resende e Barra Mansa, com grande número de trabalhadores de renda média —, o cenário de endividamento crescente representa pressão direta sobre o comércio e a economia local.
Os números que assustam
O Serasa registrou em abril de 2026 a marca de 83,5 milhões de brasileiros inadimplentes, o equivalente a 50,8% de toda a população adulta do país. Em fevereiro, o número havia chegado a 81,7 milhões — o maior da série histórica até então, após 14 meses consecutivos de alta. O valor total das dívidas cresceu 176% nos últimos dez anos, enquanto a dívida média por consumidor avançou 12,2%, chegando a R$ 6.598,13 já corrigida pela inflação.
Um dado estrutural chama atenção: 42% dos brasileiros inadimplentes em 2026 já estavam nessa condição há dez anos, o equivalente a 34 milhões de pessoas. O número de inadimplentes cresceu 38,1% na última década, mesmo em períodos de queda da taxa básica de juros.
“O avanço da inadimplência ao longo da última década reflete uma combinação de fatores econômicos e comportamentais. O período foi marcado por juros elevados e pressão inflacionária, que impactaram diretamente o orçamento das famílias. Muitos consumidores passaram a utilizar o crédito como complemento de renda, e não como um recurso pontual”, afirmou Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
Quem deve mais
Quase metade dos inadimplentes — 48% — tem renda de até um salário mínimo. Outros 30% recebem até dois salários mínimos. O perfil do endividado também mudou na última década. As mulheres passaram a ser maioria entre os inadimplentes, somando 40,4 milhões em 2026, ante 27,7 milhões em 2016. A inadimplência também envelheceu: enquanto jovens entre 18 e 25 anos reduziram sua participação, os maiores de 60 anos ampliaram significativamente sua fatia.
As principais origens das dívidas são cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa. Bancos e cartões de crédito respondem por quase 32% de todas as dívidas negativadas no país.
A inadimplência acompanha o endividamento. O índice chegou a 29,9% dos entrevistados na pesquisa da CNC, a maior taxa desde novembro do ano passado. Estável, no entanto, ficou o percentual de famílias que não terão condições de pagar as dívidas em atraso: 12,3%.
Desenrola 2.0 e os limites da renegociação
O mês de maio foi também o do lançamento do Novo Desenrola Brasil, o Desenrola 2.0, iniciativa do governo federal com duração de 90 dias para reduzir o endividamento e a inadimplência da população. Até o dia 24 de maio, o programa já havia atendido mais de 1,4 milhão de pessoas e renegociado R$ 20 bilhões em dívidas, segundo balanço apresentado pela ministra da Casa Civil, Mirian Belchior.
Para especialistas, porém, a renegociação é apenas o primeiro passo. “Negociar as dívidas é fundamental, mas é preciso garantir organização e planejamento para manter o equilíbrio financeiro no longo prazo”, alertou Aline Vieira, do Serasa.
Consumidores com dívidas em atraso podem consultar ofertas de renegociação com descontos de até 99% pelo Serasa Limpa Nome, em serasa.com.br, ou pelo telefone 0800 591 1222.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
https://diariodovale.com.br/destaque/cnc-serasa-endividamento-bate-recorde-no-brasil/





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