H.FOA alcança 300 cirurgias robóticas e consolidado avanço tecnológico na região

O avanço das cirurgias robóticas já começou a redesenhar o acesso a procedimentos de alta complexidade fora dos grandes centros. No Hospital da Fundação Oswaldo Aranha (H.FOA), esse movimento ganhou um marco concreto: a realização de 300 cirurgias com o robô da Vinci X.  O número não representa apenas volume, mas a consolidação de uma tecnologia que, até pouco tempo atrás, era restrita a grandes hospitais do país. Em menos de dois anos, o H.FOA estruturou e expandiu um programa que hoje impacta diretamente o atendimento na região do Médio Paraíba. 

Coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do hospital, Heitor Santos destaca o significado desse avanço no contexto regional.  “Para um hospital do interior, em uma região que praticamente não tinha contato com essa tecnologia, atingir 300 cirurgias é extremamente significativo. Estamos falando de uma plataforma de quarta geração, hoje entre as mais avançadas disponíveis no Brasil e amplamente utilizada no mundo”, explica.  O sistema da Vinci X permite ao cirurgião operar com visão tridimensional em alta definição e movimentos de alta precisão, o que torna os procedimentos menos invasivos e favorece uma recuperação mais rápida. Apesar da tecnologia envolvida, o controle permanece totalmente nas mãos do médico. 

Para que o programa se tornasse realidade, o hospital precisou investir não apenas em estrutura, mas na formação de profissionais e na adaptação da própria cultura médica. No início, poucos cirurgiões da região estavam habilitados para operar com a tecnologia.  “Esse cenário mudou rapidamente. Hoje, o hospital também atua na formação de novos profissionais e ampliou o uso da cirurgia robótica para diferentes especialidades. Houve uma mudança de entendimento, tanto entre médicos quanto entre pacientes, que passaram a perceber, na prática, os benefícios desse tipo de procedimento”, completa Heitor.  A expansão do programa também contou com a participação do poder público. No início, cerca de 70% dos procedimentos eram realizados via Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de parceria com o município. Hoje, o volume está mais equilibrado entre SUS, pacientes particulares e saúde suplementar. 

Para a secretária municipal de Saúde de Volta Redonda, Márcia Cury, a presença da cirurgia robótica no H.FOA fortalece toda a rede de atendimento.  “A incorporação dessa tecnologia amplia as possibilidades terapêuticas, com procedimentos mais precisos, menor tempo de internação e recuperação mais rápida. Além disso, reduz a necessidade de deslocamento de pacientes para outros centros e melhora a resolutividade da assistência no próprio município”, afirma. 

Ela também destaca o impacto estrutural para a região. 

“Contar com um hospital equipado com tecnologia de ponta eleva o nível da assistência, amplia a atração de profissionais qualificados e contribui para a formação de especialistas. É um avanço que vai além da tecnologia, refletindo diretamente na qualidade do cuidado”, completa. 

Entre as especialidades, a urologia lidera o número de procedimentos, especialmente em cirurgias de próstata. Também se destacam intervenções de hérnia e parede abdominal, além de cirurgias renais, ginecológicas, bariátricas e do aparelho digestivo. 

Na prática, os impactos aparecem diretamente na experiência do paciente. Bruna Quattrociocchi, que passou por uma cirurgia de hérnia com auxílio do robô, descreve uma recuperação mais tranquila do que o esperado. 

“No começo fiquei um pouco apreensiva, por ser algo diferente. Mas também me senti confiante por ser uma técnica moderna e menos invasiva. Depois da cirurgia, percebi que a recuperação foi muito mais tranquila do que eu imaginava. Senti menos dor e consegui voltar às minhas atividades mais rápido”, relata. 

Ela também chama atenção para a importância do acesso à tecnologia pelo SUS. 

“Sou muito grata pela oportunidade de realizar esse procedimento com toda a estrutura e cuidado da equipe. Foi uma experiência que fez diferença em todo o processo”, e completa para quem ainda tem dúvidas sobre o procedimento, “É normal ter receio, mas é importante buscar informação. No meu caso, foi uma experiência muito positiva. Me senti bem cuidada o tempo todo”. 

Para o presidente da Fundação Oswaldo Aranha, Eduardo Prado, o marco alcançado reflete um movimento mais amplo da instituição. 

“Estamos falando de uma tecnologia que, durante muito tempo, ficou concentrada nos grandes centros. Quando esse acesso chega ao interior, ele muda o padrão de atendimento da região. Tecnologia de ponta só faz sentido quando chega a quem precisa. O que construímos aqui, junto com o poder público, é um modelo que combina inovação com acesso. Isso só é possível com investimento, formação de equipes e articulação para ampliar esse alcance. No fim, o que realmente importa é garantir que o paciente tenha acesso ao que há de mais avançado sem precisar sair da sua realidade.”, afirma. 

Mais do que incorporar tecnologia, as 300 cirurgias ajudam a traduzir uma mudança que já começa a ser percebida no dia a dia: procedimentos mais precisos, recuperação mais rápida e a possibilidade de acesso a uma tecnologia que, até pouco tempo, parecia distante da realidade regional.

Informa Cidade

H.FOA alcança 300 cirurgias robóticas e consolidado avanço tecnológico na região


Translate »