Polícia toma depoimentos no caso da jovem lançada sem cordas de ponte em SP
A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, na manhã do último sábado (13), ao ser lançada de uma ponte, a 40 metros de altura, num salto de “rope jump”, no interior de São Paulo, continua repercutindo em todo o país e até no exterior. A jovem, formada em Educação Física, foi lançada sem estar presa às cordas de segurança. Os três instrutores que fizeram o lançamento foram presos em flagrante após o incidente. Eles já prestaram depoimento e afirmaram que sofreram um “apagão” durante o procedimento, esquecendo de colocar as cordas.
A tragédia foi gravada em vídeo por pessoas que estavam no local, incluindo a cliente que pularia em seguida. Maria Eduarda era a primeira a ser lançada naquele dia. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o momento em que três homens a carregam nos braços até a plataforma de salto e a lançam, numa modalidade conhecida como “aviãozinho”. Uma corda aparece enrolada no chão, atrás do grupo. Na sequência, é possível ouvir no vídeo testemunhas em pânico aos gritos de “Gente, a corda!”. Pessoas que estavam no local tentaram prestar os primeiros socorros, mas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros constataram a morte por múltiplas fraturas ainda na trilha.
O trio que jogou a vítima foi preso em flagrante por homicídio com dolo eventual, por assumir o risco de produzir a morte ao negligenciar checagens primárias antes do salto. A pena prevista varia de 6 a 30 anos. A prisão deles foi convertida em preventiva na tarde do domingo (14).
A delegada responsável pelo caso, Andréa Dantas Levy, disse ao jornal O Globo que seis pessoas foram levadas para a delegacia, incluindo os responsáveis pelo arremesso. As outras três, que estavam numa barraca ao lado distribuindo pulseirinhas e colocando cintos e cadeirinhas nos clientes foram liberadas.
Para Andréa, o trio assumiu o risco da morte por não verificar adequadamente o equipamento. A delegada destacou que não havia uma empresa formal e regulamentada por trás do evento, mas apenas um grupo autônomo. Segundo a investigadora, os organizadores operavam sob o manto de marcas informais, como “Ih voei” e “Entre cordas”, cujos perfis na internet foram deletados. A defesa do trio, por sua vez, alega vasta experiência no setor e argumenta se tratar da primeira fatalidade em sua trajetória.
A apuração aponta que Maria Eduarda pagou R$ 180 pelo salto e arcou com R$ 150 extras para ter a experiência filmada com uma câmera 360 graus. No vídeo da morte, a jovem segurava a câmera com uma das mãos, mas o equipamento não foi localizado pelos investigadores. O rapaz que a acompanhava no local — cujo vínculo com a vítima não foi esclarecido — passou mal ao ver a cena e precisou ser internado. Ele ainda deve ser ouvido pela polícia.
Moradora de Jandira, na Grande São Paulo, Maria Eduarda era formada tinha formação também em Gestão Esportiva, e trabalhava numa academia na cidade. Nas redes sociais, costumava compartilhar registros de sua rotina, além de publicações relacionadas a atividades físicas, natureza e bem-estar. (Foto: Reprodução)
Informa Cidade
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