Foto: Agência Brasil
Caso está relacionado a um episódio ocorrido em outubro de 2022, quando o jornalista foi alvo de perseguição armada pela então deputada federal Carla Zambelli
País – Entidades ligadas ao jornalismo manifestaram repúdio à decisão do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo, que determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo. O caso está relacionado a um episódio ocorrido em outubro de 2022, quando ele foi alvo de perseguição armada pela então deputada federal Carla Zambelli.
A decisão foi assinada pelo juiz José Fernando Steinberg, que alegou que o “condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta”. Segundo o processo, Araújo deveria pagar uma indenização de R$ 2,2 mil após condenação por difamação, referente a um texto crítico publicado contra a parlamentar.
No conteúdo que motivou a ação, o jornalista se referiu a Zambelli como integrante de uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”.
Em resposta à decisão, entidades como a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-SP), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), e a Conajira/Fenaj divulgaram nota conjunta criticando a medida e classificando a prisão como desproporcional diante do contexto do caso.
Situação do jornalista e repercussão
A comissão também divulgou declarações de Luan Araújo, que afirma enfrentar dificuldades financeiras e estar desempregado. Ele declarou que está “triste com toda essa repercussão”, mas agradeceu o apoio recebido. Segundo ele, segue em busca de oportunidades de trabalho enquanto lida com a condenação.
Em manifestações públicas, Araújo afirmou considerar a decisão “injusta” e relatou dificuldades pessoais e financeiras, destacando o impacto do processo em sua vida.
Episódio que originou o caso
O episódio que motivou as ações judiciais ocorreu em 29 de outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais. Na ocasião, Carla Zambelli e Luan Araújo tiveram um desentendimento em via pública, e a então deputada sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista em ruas e dentro de uma lanchonete em São Paulo. Imagens do caso repercutiram amplamente.
Em 2024, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Carla Zambelli a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com uso de arma.
O Brasil chegou a solicitar a extradição da parlamentar, aceita inicialmente pela Justiça italiana, mas posteriormente revogada pela Corte de Apelação de Roma em maio deste ano. Com informações da Agência Brasil.
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