Brasil tenta acordo para evitar tarifa de 25% dos EUA sobre exportações
Foto: Alan Santos/PR
Entre os argumentos apresentados pelos negociadores brasileiros está o fato de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre produtos norte-americanos é de aproximadamente 2,7%, percentual considerado baixo nas relações bilaterais
Brasília – O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para evitar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de adotar práticas consideradas desleais nas relações comerciais.
A avaliação do governo é de que ainda existe espaço para um acordo mais vantajoso para ambos os países, especialmente porque os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação com o Brasil. Entre os argumentos apresentados pelos negociadores brasileiros está o fato de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre produtos norte-americanos é de aproximadamente 2,7%, percentual considerado baixo nas relações bilaterais.
A recomendação da USTR é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. O relatório cita, entre outros pontos, críticas ao sistema de pagamentos Pix, alegando que ele prejudicaria empresas norte-americanas do setor financeiro.
O governo brasileiro rebate as acusações e sustenta que a iniciativa representa uma tentativa de interferência em assuntos internos do país, além de caracterizar uma medida de caráter protecionista.
As negociações ganharam um novo prazo. A USTR estabeleceu o dia 15 de julho como data para uma definição sobre o tema, ampliando o período inicialmente previsto após reunião entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Entre os obstáculos enfrentados pelo Brasil estão a ampla agenda internacional dos Estados Unidos, que atualmente conduzem negociações tarifárias com diversos países e também lidam com tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Além da possível tarifa de 25%, o governo brasileiro considera pouco provável a reversão da sobretaxa global de 10% a 12,5% anunciada pelos Estados Unidos para cerca de 60 países. A medida atinge economias de diferentes perfis, incluindo membros da União Europeia, Japão, Canadá, Índia e Argentina, sob a justificativa de combate ao trabalho análogo à escravidão.
Segundo a avaliação do governo brasileiro, essa cobrança tem alcance global e estaria relacionada à reformulação da política tarifária norte-americana após questionamentos judiciais internos, o que reduz as possibilidades de negociação específica para o Brasil. Com informações da Agência Brasil.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco
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