Jovens levam debate sobre água e clima ao centro das discussões globais
Foto: Arquivo
Rio de Janeiro – Jovens de comunidades periféricas e territórios socialmente vulneráveis participaram neste sábado (6), no Rio de Janeiro, de um encontro voltado à defesa do direito à água, ao saneamento básico e à justiça climática. Realizado na Fundição Progresso, na região da Lapa, o evento reuniu ativistas, especialistas, representantes da sociedade civil e autoridades para discutir soluções diante dos desafios relacionados ao acesso à água e às mudanças climáticas.
A iniciativa foi promovida pela organização Águas Resilientes e teve como principal objetivo construir propostas para a chamada “Declaração das Juventudes”, documento que será encaminhado a autoridades brasileiras e apresentado na Conferência da Água da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para dezembro, nos Emirados Árabes Unidos.
Ao longo do dia, os participantes debateram temas como universalização do saneamento, governança da água, inclusão social e participação popular na formulação de políticas públicas.
Durante um dos painéis, a especialista em planejamento urbano Andrea Pulici destacou os desafios para que o Brasil cumpra a meta prevista no Marco Legal do Saneamento, que estabelece a universalização do acesso à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto até 2033. Segundo ela, mais importante do que discutir apenas os investimentos necessários é refletir sobre os impactos sociais provocados pela falta desses serviços.
“O custo de não fazer é enorme. O acesso à água e ao saneamento está diretamente ligado à saúde, à educação e à qualidade de vida das famílias”, ressaltou.
Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico mostram que pouco mais de 84% da população brasileira é atendida por rede de abastecimento de água, enquanto os índices relacionados à coleta e ao tratamento de esgoto ainda permanecem abaixo das metas estabelecidas.
A ativista Johari Silva, da organização Ação da Cidadania, destacou que o acesso à água deve ser tratado como uma questão de dignidade humana. Para ela, as populações mais afetadas pela escassez de recursos hídricos precisam participar diretamente das decisões relacionadas ao tema.
“O debate não pode ficar restrito aos governos e às instituições. É fundamental ouvir as comunidades, os povos indígenas, os moradores das periferias e todos aqueles que convivem diariamente com a falta de acesso à água”, afirmou.
A diretora de Planejamento da Águas Resilientes, Verena Meirelles, explicou que a proposta da declaração é justamente garantir que as experiências e demandas dos jovens sejam levadas aos fóruns internacionais de discussão.
Segundo ela, quem enfrenta os desafios da falta de saneamento e do acesso precário à água possui conhecimento fundamental para contribuir com a construção de soluções mais eficazes.
O fundador da organização, Erleyvaldo Bispo, reforçou a importância de ampliar a participação de países do Sul Global nas decisões internacionais relacionadas aos recursos hídricos. Ele lembrou que milhões de pessoas ainda vivem sem acesso seguro à água potável, tanto no Brasil quanto em diversas regiões do mundo.
O papel da juventude também foi destacado por especialistas e lideranças presentes no encontro. Para a gerente de programas para democracia na América Latina da Open Society Foundations, Sylvia Siqueira, os jovens representam uma força transformadora capaz de construir novas perspectivas para enfrentar os desafios ambientais e sociais do século XXI.
Já o cientista político Matheus Marlisson avaliou que a crise climática é um dos maiores desafios da atualidade e que o Brasil pode exercer protagonismo nas discussões globais sobre água, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), destacou que os temas da justiça climática e do acesso à água estão diretamente conectados. Segundo a parlamentar, espaços de diálogo como o realizado na Fundição Progresso fortalecem a participação cidadã e contribuem para a construção de políticas públicas mais inclusivas.
Ao final do encontro, as propostas debatidas pelos participantes serão consolidadas na Declaração das Juventudes, documento que pretende levar às instâncias nacionais e internacionais a voz de jovens que vivenciam, em seus territórios, os impactos da desigualdade no acesso à água e os efeitos das mudanças climáticas.
Osmar Neves
Jovens levam debate sobre água e clima ao centro das discussões globais




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