Medida dos EUA gera reação do governo brasileiro

Foto: whitehouse.gov
Classificação permite a adoção de sanções financeiras, bloqueio de ativos e ampliação dos mecanismos de combate internacional aos grupos
BRASÍLIA — Entrou em vigor nesta sexta-feira (5) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês). A medida foi anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano em 28 de maio e passou a valer oficialmente nesta data.
Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, as duas facções estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e possuem atuação que ultrapassa as fronteiras brasileiras. A classificação permite a adoção de sanções financeiras, bloqueio de ativos e ampliação dos mecanismos de combate internacional aos grupos.
O governo brasileiro reagiu à decisão afirmando que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio da cooperação internacional e do respeito à soberania nacional. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a medida como uma interferência em assuntos internos do país e afirmou que o Brasil não aceitará ações externas que ultrapassem os limites da cooperação entre os Estados.
Especialistas ouvidos por veículos nacionais e internacionais avaliam que a decisão pode aumentar a fiscalização sobre empresas, bancos e setores econômicos que atuam em áreas onde as facções exercem influência. Entre os segmentos que podem enfrentar maior escrutínio estão agronegócio, mineração, energia, telecomunicações e instituições financeiras.
A medida também ocorre em meio a um momento de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. Nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendou a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros e fez críticas a políticas econômicas do país, incluindo o sistema de pagamentos Pix.
Apesar das preocupações levantadas por especialistas e integrantes do governo brasileiro, ainda não há definição sobre eventuais impactos práticos imediatos para empresas ou cidadãos brasileiros. O tema deverá continuar sendo discutido nos campos diplomático, comercial e jurídico nos próximos meses. Com informações da Agência Brasil.
Ana Carolina Garcia Berg de Marco





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