Coalizão Indústria lança manifesto e cobra crescimento sustentado do PIB
Foto: Ricardo Matsukawa
São Paulo — Treze entidades de classe que representam doze segmentos da indústria de transformação, da construção civil e do comércio exterior lançaram o “Manifesto pela Aceleração do Crescimento Sustentado do Brasil”, em São Paulo. O documento, do qual o Instituto Aço Brasil é signatário, traça um diagnóstico duro sobre a situação competitiva da indústria nacional e apresenta um conjunto de exigências ao poder público.
A Coalizão defende que o Brasil alcance um patamar de crescimento sustentado do PIB de pelo menos 3,5% ao ano nos próximos cinco anos, sob o argumento de que esse ritmo já foi alcançado em outros momentos da história recente e é fundamental para inserir o país de volta em uma trajetória de desenvolvimento.
Os números que sustentam o peso político do manifesto são expressivos. Os setores representados pela Coalizão respondem por 44,8% do PIB da indústria de transformação — o equivalente a cerca de R$ 1,1 trilhão —, por 60,6% das exportações de manufaturados, pela geração de 48,6 milhões de empregos diretos e indiretos e pelo pagamento de R$ 500 bilhões em tributos por ano.
O quadro atual, no entanto, é de deterioração. Dos doze setores representados pela Coalizão, oito devem registrar crescimento na produção abaixo de 4% em 2026 e dois terão retração. Em 2025, seis setores já haviam crescido abaixo de 4% e cinco sofreram retração. “A perspectiva de 2026 é sobreviver. Não é possível se a gente não conseguir competir de igual para igual”, afirmou Synésio Batista da Costa, presidente de uma das entidades signatárias.
Entre as principais medidas defendidas no manifesto estão o controle dos gastos públicos — como caminho para a redução das taxas de juros —, a redução do Custo Brasil e a formulação de um sistema abrangente de defesa comercial contra o avanço das importações predatórias, com foco especial nos produtos chineses. Segundo a Coalizão, a China adotou a indústria como motor de crescimento e direciona o excedente ao mercado global, encontrando espaço em países cujos mecanismos de defesa comercial não conseguem fazer frente ao modelo.
A Associação do Comércio Exterior do Brasil, também signatária do manifesto, prevê novo déficit recorde em 2026 na balança comercial de manufaturados, estimado em cerca de US$ 146,4 bilhões.
Para o sul fluminense, o manifesto tem endereço certo. A CSN, em Volta Redonda, a ArcelorMittal, em Barra Mansa e Resende, e a Saint-Gobain, em Barra Mansa, integram a cadeia siderúrgica diretamente afetada pelo cenário descrito no documento. A pressão das importações predatórias e o Custo Brasil elevado são entraves que pesam sobre a produção e os empregos da região.
Mayra Gomes
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