Um golpe por dia: idosos viram alvo de criminosos em Volta Redonda

Foto: Europol

Volta Redonda – Uma mensagem no WhatsApp pedindo dinheiro urgente. Um telefonema prometendo a liberação de uma indenização judicial. Um desconhecido oferecendo ajuda diante de um caixa eletrônico. Situações aparentemente comuns têm servido de porta de entrada para golpes que fazem cada vez mais vítimas entre idosos no Sul Fluminense.

Os números chamam a atenção. Somente em março deste ano, o Núcleo de Atendimento ao Idoso (Nuai), da 93ª Delegacia de Polícia, em Volta Redonda, registrou 33 ocorrências envolvendo pessoas da terceira idade — média superior a um caso por dia.

Os golpes mudam de formato, acompanham a tecnologia e exploram principalmente a confiança das vítimas. Em comum, todos causam prejuízos financeiros e, muitas vezes, também emocionais.

Ajuda que vira prejuízo

Um dos golpes mais recorrentes ocorre dentro ou próximo de agências bancárias. Criminosos abordam idosos oferecendo ajuda para utilizar caixas eletrônicos e acabam tendo acesso a senhas e dados bancários.

Com as informações em mãos, realizam transferências, saques e até contratam empréstimos em nome das vítimas.

Em maio deste ano, um homem suspeito de liderar um grupo especializado nesse tipo de fraude foi preso em Angra dos Reis durante a Operação Estorno.

O falso advogado

Outro golpe que tem preocupado autoridades da região é o do falso advogado.

Criminosos entram em contato por telefone ou WhatsApp afirmando que a vítima tem valores a receber em processos judiciais. Para dar credibilidade à fraude, utilizam nomes reais de advogados, números de processos e até fotografias retiradas da internet.

O golpe termina quando a vítima é convencida a pagar uma suposta taxa para liberar o dinheiro.

Segundo a Polícia Civil, casos desse tipo vêm sendo registrados em cidades como Volta Redonda, Barra Mansa, Resende e Porto Real.

Quando a confiança é explorada

Em alguns casos, os criminosos conseguem se aproximar das vítimas antes de aplicar o golpe.

Recentemente, uma mulher foi presa em Volta Redonda acusada de furtar idosos para os quais trabalhava como cuidadora. De acordo com as investigações, ela se aproveitava da confiança e do acesso à rotina das vítimas para subtrair dinheiro e outros bens.

O falso pedido de socorro

O golpe do WhatsApp clonado continua entre os mais comuns.

Os criminosos utilizam fotos e informações de familiares para enviar mensagens pedindo dinheiro com urgência. A alegação normalmente envolve problemas de saúde, acidentes ou contas a serem pagas.

A vítima acredita estar ajudando um filho ou neto e acaba realizando transferências para contas controladas pelos golpistas.

Empréstimo que ninguém pediu

Também são frequentes os casos de empréstimos consignados contratados sem autorização.

Os criminosos se passam por funcionários de bancos ou do INSS, solicitam dados pessoais e utilizam as informações para contratar financiamentos em nome da vítima.

Muitas vezes o golpe só é descoberto quando o idoso percebe descontos inesperados no benefício previdenciário.

Como evitar cair em golpes

Especialistas orientam que idosos e familiares mantenham atenção redobrada diante de pedidos de dinheiro, mensagens urgentes e solicitações de dados pessoais.

Entre as principais recomendações estão confirmar informações diretamente com familiares, não compartilhar senhas bancárias e desconfiar de cobranças para liberação de benefícios, indenizações ou empréstimos.

Em caso de suspeita, a orientação é procurar a delegacia mais próxima ou denunciar pelo Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos da pessoa idosa.

luciano junior

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