Golpe do falso advogado está crescendo no Sul Fluminense, alerta Russo
Foto: Divulgação
Sul Fluminense – Uma mensagem no WhatsApp. Uma foto de advogado. Um número de processo real. Esses três elementos têm sido suficientes para que criminosos convençam vítimas a transferir dinheiro acreditando que vão receber uma indenização judicial. O golpe do falso advogado cresce no Sul Fluminense e já é um dos principais tipos de estelionato registrados nas delegacias da região.
O delegado titular da Delegacia de Porto Real, Marcelo Russo, está preocupado com o avanço do crime na região. “Está acontecendo direto aqui em Porto Real, Volta Redonda, Barra Mansa e Resende. Pessoal se passando por escritório de advocacia e cobrando valores para liberar uma suposta indenização proveniente de ação judicial. É uma modalidade de estelionato muito comum aqui na região. As pessoas idosas, que geralmente têm alguma ação judicial, estão caindo no golpe, fazendo depósito para esses criminosos, que usam celulares pré-pagos para dificultar o rastreamento”, alertou o delegado.
Russo faz questão de ampliar o alerta: não são só os idosos que estão sendo vitimados. “Não é só idoso não. Tem pessoa com 30 e pouco, 40 anos caindo no golpe. Geralmente são pessoas que têm algum processo na Justiça. E aí entra o princípio da publicidade, que rege a administração pública e os atos processuais — essa publicidade acaba sendo aproveitada pelos estelionatários, que têm acesso aos dados das vítimas e usam isso para parecer legítimos”, explicou o delegado.
O esquema funciona assim: a vítima recebe uma mensagem pelo WhatsApp de alguém que se passa por advogado, agente da Defensoria Pública ou funcionário de escritório de advocacia, informando que tem direito a receber uma indenização judicial. O criminoso apresenta detalhes do processo — número, partes envolvidas, valores — o que confere falsa credibilidade à abordagem. No final da conversa, pede o pagamento de uma taxa ou tributo para liberar o valor. A vítima paga e nunca recebe nada. Os criminosos operam com celulares pré-pagos, o que dificulta o rastreamento pelas autoridades.
A riqueza de detalhes que os golpistas apresentam não é coincidência. Os criminosos exploram vulnerabilidades nos sistemas públicos de consulta processual, acessando dados de processos disponíveis nos portais dos tribunais para tornar o golpe mais convincente. Foi justamente para conter esse acesso indevido que o TJRJ, a pedido da OAB-RJ, restringiu os filtros de busca pública no sistema PJe, limitando o número de consultas por usuários não habilitados e implementando marca d’água em documentos processuais.
A OAB-RJ foi além. A entidade ajuizou ação civil pública contra a Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, em razão de falhas de segurança exploradas nas fraudes, e elaborou cartilha de orientação à população. Em nível nacional, a Câmara dos Deputados aprovou em março o Projeto de Lei 4.709/2025, com contribuição técnica da OAB, que cria tipos penais específicos para o golpe e estabelece prazos para bloqueio de contas e transferências via Pix quando a fraude é identificada. O projeto ainda aguarda votação no Senado.
A orientação é direta: nenhum processo judicial exige pagamento prévio de taxa para liberar indenização. Qualquer contato nesse sentido via WhatsApp deve ser ignorado e denunciado. Em caso de dúvida, consulte diretamente a OAB, a Defensoria Pública ou busque o número do processo nos canais oficiais do tribunal.
Mayra Gomes
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