Maracanã vira palco de campanha contra abuso infantil no clássico deste sábado

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Foto: Divulgação

Rio de Janeiro – O Maracanã recebe neste sábado (23), além do clássico entre Flamengo e Palmeiras, uma ação de alto impacto contra a violência sexual infantil. Durante a partida, marcada para as 21h, a campanha “Operação Rio Sem Abuso” promove ativação no estádio com exibição de vídeo nos telões de LED, distribuição de bonecos educativos e livros infantis com conteúdo voltado à proteção de crianças e adolescentes.

A operação, liderada pelo Instituto Anjos — organização sem fins lucrativos dedicada à capacitação de pessoas para identificar e enfrentar situações de abuso —, encerra uma semana de ações integradas com órgãos públicos, forças de segurança e instituições de proteção à infância.

Uma sobrevivente à frente da luta

À frente do projeto está Maura de Oliveira, cuja própria história deu origem ao instituto. Subtraída da família aos 4 anos, Maura viveu nas ruas do Rio de Janeiro, enfrentou fome, dormiu sob pontes e sofreu violência sexual dos 6 aos 16 anos. Hoje, transforma essa trajetória em mobilização permanente.

“Eu fui uma criança invisível por muitos anos. Hoje, eu volto à luta não como vítima, mas como voz de milhares de crianças que ainda não conseguem falar. Prevenir é salvar infâncias”, afirma Maura.

Números que assustam

Os dados reforçam a urgência da campanha. Levantamento do Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que no primeiro trimestre de 2026 foram registradas, em média, 150 ocorrências de estupro de vulnerável por dia — totalizando 13.462 casos até março. Especialistas alertam, no entanto, que apenas cerca de 10% dos casos chegam a ser denunciados, e que em mais de 80% das ocorrências o agressor é alguém do convívio da vítima.

A violência no ambiente digital também preocupa. Segundo o UNICEF, cerca de 3 milhões de crianças e adolescentes brasileiros sofrem violência sexual online por ano — o equivalente a 1 em cada 5 jovens. Dados da Interpol indicam que mais de 4,9 milhões de imagens e vídeos de abuso infantil já foram catalogados para investigação em todo o mundo.

Informação como escudo

Mais do que uma mobilização simbólica, a campanha aposta na informação como ferramenta de prevenção. Em um cenário dominado pela subnotificação, as ações buscam estimular a denúncia, o acolhimento e a proteção ativa da infância.

“Esses números não são estatísticas frias — são infâncias sendo destruídas em silêncio todos os dias. Precisamos aprender a ver, ouvir e agir”, reforça Maura de Oliveira.

Osmar Neves

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