Uso do celular ao volante já gerou mais de 600 mil multas em dois meses no país
Foto: Divulgação
País – O uso do celular ao volante segue como um dos comportamentos de maior risco no trânsito brasileiro. Levantamento da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) revela que, apenas entre janeiro e fevereiro de 2026, mais de 601 mil motoristas foram multados no país por utilizarem o aparelho enquanto dirigiam.
A professora do curso de Enfermagem da Estácio, Candisse Almeida, alerta que o celular compromete de forma crítica a atenção do condutor, provocando distrações visuais, manuais e cognitivas, um conjunto que aumenta significativamente o risco de colisões e acidentes graves.
Segundo ela, mesmo o uso do viva-voz pode comprometer a percepção situacional do condutor. Além das notificações e mensagens, outras condutas também têm contribuído para sinistros.
“Observamos muitas vítimas que relatam distrações cognitivas e operacionais, como o manuseio de painéis multimídia, a alimentação ao volante ou, no caso de motociclistas, o ajuste de capacetes e mochilas durante o movimento”, explica.
A profissional de saúde destaca que, com a perda de atenção, os reflexos diminuem e aumentam as chances de colisões de alto impacto. Ela também detalha as lesões mais frequentes.
“A distração acaba comprometendo a capacidade do condutor de acionar a frenagem ou realizar uma manobra evasiva, o que pode resultar em colisões de alto impacto. Com frequência, esses acidentes geram traumatismos cranioencefálicos (TCE), traumas torácicos e abdominais, fraturas de membros inferiores e superiores, mais comuns em motociclistas e pedestres, além de lesões na coluna cervical”, afirmou.
Ela informa que o resultado desses acidentes é o agravamento da superlotação nos hospitais, o que gera atraso em cirurgias eletivas e aumenta o tempo de espera nos pronto-atendimentos, já que os casos de trauma são sempre priorizados pela gravidade.
“Um paciente de trauma grave costuma exigir atuação imediata de uma equipe multidisciplinar, ocupando leitos de UTI por longos períodos e consumindo insumos de alto custo. E o custo não se limita à internação ou à cirurgia: envolve afastamento do trabalho, reabilitação prolongada e impacto previdenciário”, detalha Candisse.
Para a professora da Estácio, prevenir essas ocorrências exige ações integradas. Ela destaca que campanhas precisam estimular a atenção plena ao dirigir, o uso correto de dispositivos de segurança e o respeito ao pedestre. Ela ressalta ainda que muitos acidentes poderiam ser evitados e que o fortalecimento da educação em saúde é fundamental para que a população compreenda a gravidade das sequelas, muitas vezes permanentes.
Mayra Gomes
Uso do celular ao volante já gerou mais de 600 mil multas em dois meses no país




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