Castro rebate PF: “Fui o único a cobrar dívida da Refit”

Rio de Janeiro – Após ter sua casa vasculhada pela PF (Polícia Federal) na Operação Sem Refino, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro gravou um vídeo publicado nas redes sociais, nesta sexta-feira (15), em que rebate, ponto a ponto, as acusações que pesam sobre ele. A investigação apura suspeitas de favorecimento ao Grupo Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro.  Castro nega qualquer irregularidade e classifica as suspeitas como “absurdas” e “ilações irresponsáveis”.

Castro é investigado por um suposto esquema de sonegação de impostos por meio do setor de combustíveis, que teria beneficiado o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, considerado o maior devedor contumaz do país, com débitos de R$ 26 bilhões. As denúncias indicam que agentes públicos de alto escalão receberiam mais de R$ 300 mil por mês para facilitar processos do grupo. Um fiscal de renda é acusado de ter acumulado mais de R$ 12 milhões em propinas nos últimos anos.

A defesa ponto a ponto

O primeiro argumento de Castro é o que ele considera mais contundente: sua gestão foi a única que teve êxito em cobrar impostos da Refit, garantindo um acordo que já devolveu mais de R$ 1 bilhão aos cofres públicos. “Quem estaria beneficiando devedores e ao mesmo tempo sendo o único a conseguir cobrar o pagamento de dívidas?”, questionou o ex-governador no vídeo.

Sobre a acusação de que a máquina pública teria sido direcionada para favorecer a Refit, Castro rebateu afirmando que a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) atuou judicialmente em diversas ações contra a empresa e dezenas de outras devedoras — o que, segundo ele, demonstra o oposto do que a PF afirma.

Outro ponto contestado é a menção da investigação a um encontro com o dono da Refit nos Estados Unidos. Castro afirmou que participou de um fórum promovido pela revista Veja e disse que diversas autoridades brasileiras estavam presentes no evento, incluindo integrantes do Legislativo e do Judiciário, e citou a presença do ministro Luís Roberto Barroso, então presidente do STF, na abertura do encontro. “O que tem a ver um patrocinador privado de um evento promovido por uma revista?”, questionou.

Em relação à Lei Complementar 225/2025 — que a PF alega ter sido criada sob medida para beneficiar a Refit —, Castro afirmou que a lei seguiu recomendação do Confaz (Conselho Nacional de Secretários de Fazenda), aprovada por unanimidade pelos 27 estados. “Antes mesmo da criação dessa lei, essa empresa já possuía um acordo de pagamento com o Estado, o que prova que não há relação entre os fatos”, disse.

 

O que diz a PF

 

Do lado da investigação, a Polícia Federal afirma que Castro usou a máquina do estado para facilitar crimes do grupo Refit, descrevendo o caso como o “amálgama do crime organizado com agentes públicos influentes na política fluminense, a começar pelo então chefe do Poder Executivo”.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou a operação, que incluiu busca e apreensão contra Castro e outros agentes públicos, e decretou a prisão preventiva de Ricardo Magro. O empresário mora em Miami e não foi preso. Seu nome foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol. A operação também investiga um desembargador do TJRJ, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do Estado Renan Saad.

 

O contexto político

 

Castro, pré-candidato ao Senado, insinuou que a operação teria motivação eleitoral. “Em anos de eleição, infelizmente, esse expediente sempre é usado. Isso é triste, muito triste”, disse. O ex-governador renunciou ao cargo em março de 2026, véspera da conclusão do julgamento no TSE que o tornou inelegível por abuso de poder nas eleições de 2022.

Segundo Castro, seu advogado irá a Brasília na próxima semana para apresentar um memorial com a contestação detalhada dos fatos imputados pela PF.

 

Vinicius

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