Governo detalha programa nacional de combate ao crime organizado

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Programa foi estruturado em quatro eixos principais: asfixia financeira das organizações criminosas; fortalecimento da segurança no sistema prisional; qualificação das investigações de homicídios; e combate ao tráfico de armas, munições e explosivos

País – O governo federal lançou nesta terça-feira (12) o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, uma nova estratégia nacional voltada ao enfrentamento das facções criminosas em todo o país. A iniciativa prevê R$ 11 bilhões em recursos, sendo R$ 1,06 bilhão em investimentos diretos da União e outros R$ 10 bilhões por meio de linha de crédito para estados e municípios.

O programa foi estruturado em quatro eixos principais: asfixia financeira das organizações criminosas; fortalecimento da segurança no sistema prisional; qualificação das investigações de homicídios; e combate ao tráfico de armas, munições e explosivos.

Segundo o governo federal, a proposta busca atacar os principais pilares que sustentam o crime organizado, como a movimentação financeira ilícita, o comando das facções dentro dos presídios, a baixa taxa de resolução de homicídios e o acesso ao armamento pesado.

Durante o lançamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o combate ao crime organizado exige integração entre os governos federal, estaduais e municipais.

“O crime organizado se aproveita da divisão entre as instituições. Se a gente não trabalhar junto, não consegue vencer”, declarou o presidente.

Um dos focos centrais do programa é a chamada “asfixia financeira” das facções. Para isso, o governo prevê investimentos de quase R$ 389 milhões no fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos), além da criação de uma força nacional voltada para operações interestaduais de alta complexidade.

Entre as medidas previstas estão ainda a ampliação de investigações financeiras, uso de tecnologias avançadas de análise de dados e leilões antecipados de bens apreendidos do crime organizado.

Na área prisional, o programa prevê investimento de R$ 330,6 milhões para transformar 138 unidades prisionais estaduais em estabelecimentos com padrão semelhante ao dos presídios federais de segurança máxima. Segundo o Ministério da Justiça, cerca de 80% das lideranças criminosas do país cumprem pena nessas unidades.

As ações incluem compra de drones, scanners corporais, bloqueadores de celulares, equipamentos de inteligência e realização de operações para retirada de aparelhos eletrônicos, armas e drogas de dentro dos presídios.

Outro eixo do programa busca aumentar a eficiência na investigação de homicídios, com previsão de R$ 201 milhões em investimentos. O pacote prevê fortalecimento das polícias científicas, modernização de Institutos Médico-Legais (IMLs), ampliação dos bancos de perfis genéticos e aquisição de equipamentos periciais.

Já o combate ao tráfico de armas terá cerca de R$ 145 milhões em recursos. Entre as medidas estão a criação da Rede Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Armas e o fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), além do aparelhamento de delegacias especializadas.

O cronograma do programa prevê operações mensais integradas das Ficcos em diferentes estados e a instalação, até setembro, dos Comitês Integrados de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRAs), responsáveis por rastrear recursos do crime organizado. Com informações da Agência Brasil.

Ana Carolina Garcia Berg de Marco

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