Após perder a filha, moradora reencontra esperança em oficina de culinária em VR

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Foto:SECOM/PMVR
Além do aprendizado técnico, as oficinas têm papel importante no acolhimento emocional e no fortalecimento dos vínculos sociais das famílias atendidas pelos Cras do município

Volta Redonda – O cheiro de bolo saindo do forno, o preparo cuidadoso das receitas e o convívio em grupo ajudaram a transformar a vida de Belarmina das Graças. Moradora da área atendida pelo Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do bairro Caieiras, ela reencontrou esperança por meio da oficina de culinária promovida pela Prefeitura de Volta Redonda, através da Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas).

Após perder a única filha, Belarmina viu sua rotina mudar completamente. Além do luto, passou a cuidar dos netos enquanto enfrentava problemas de saúde e um período de profundo sofrimento emocional.

“Eu não tinha mais vontade de sair de casa, nem de conversar. Parecia que eu tinha perdido a alegria junto com a minha filha”, relembrou.

Foi durante o acompanhamento realizado pela equipe do Cras que surgiu o convite para participar da oficina de culinária oferecida pelo Programa de Inclusão Produtiva da prefeitura.

O que inicialmente parecia apenas uma atividade para ocupar o tempo acabou se tornando um recomeço. Entre receitas, pães, doces e novas amizades, Belarmina recuperou a autoestima e voltou a fazer planos para o futuro.

“Cozinhar me trouxe vida outra vez. Aqui eu encontrei acolhimento, carinho e força para continuar. Hoje eu sonho em abrir minha cafeteria e trabalhar com aquilo que amo fazer”, contou emocionada.

Além do aprendizado técnico, as oficinas têm papel importante no acolhimento emocional e no fortalecimento dos vínculos sociais das famílias atendidas pelos Cras do município.

A subsecretária municipal de Assistência Social, Larissa Garcez, destacou que o projeto vai além da qualificação profissional.

“Muitas pessoas chegam fragilizadas emocionalmente, desacreditadas e sem perspectiva. Quando elas encontram acolhimento e percebem que ainda são capazes de aprender, produzir e sonhar, começam a reconstruir suas vidas. O trabalho da assistência social também passa por isso: devolver dignidade, esperança e pertencimento”, afirmou.

A coordenadora do Cras Caieiras, Elizabeth Alves, acompanha de perto a trajetória de Belarmina e ressaltou a importância das atividades desenvolvidas.

“As oficinas acabam se tornando espaços de afeto, convivência e transformação. A Belarmina chegou muito triste e hoje vemos uma mulher mais forte, participativa e cheia de planos. Isso mostra como políticas públicas humanizadas podem mudar vidas”, destacou.

As oficinas de culinária fazem parte das ações de inclusão produtiva realizadas pela Prefeitura de Volta Redonda e têm como objetivo desenvolver habilidades, ampliar oportunidades de renda e fortalecer os vínculos comunitários.

Para Belarmina, no entanto, o maior aprendizado foi descobrir que ainda era possível recomeçar.

“Eu achei que não conseguiria mais ser feliz. Hoje eu sei que recomeçar é possível.”

Ana Carolina Garcia Berg de Marco

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