CREMERJ registra quase mil agressões a médicos no RJ desde 2018
Foto: Divulgação/Cremerj
Estado do Rio – O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ) divulgou um levantamento alarmante sobre a violência enfrentada por médicos durante o exercício da profissão no estado. Entre 2018 e 2025, foram registrados 987 casos de agressões contra profissionais da medicina em unidades de saúde públicas e privadas do Rio de Janeiro — uma média superior a um caso a cada três dias.
De acordo com a fala do presidente do conselho, Antônio Braga, gravada durante um evento esportivo, no último domingo (3), no Maracanã, e divulgada nas redes sociais, “sem segurança não há saúde”. “Um médico é agredido a cada duas horas nas unidades de saúde do Brasil. É preciso cuidar de quem cuida. O conselho regional de medicina, diz: Basta de violência contra os médicos!” – ressaltou Antônio Braga.
Os dados foram apresentados na terça-feira (5), durante o evento “Divulga CFM”, realizado na sede do Cremerj, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O encontro discutiu a implementação da Resolução CFM nº 2.444/2025, que estabelece medidas obrigatórias de segurança nas unidades de saúde, além da aplicação da Lei Estadual nº 11.070/2025, que prevê, entre outras ações, a instalação de botão de pânico para profissionais da saúde.
O levantamento mostra que a violência contra médicos vai muito além de casos isolados e evidencia uma realidade crescente nas unidades de atendimento do estado.
Violência cresce e preocupa categoria
Segundo os dados do Cremerj, entre 2018 e 2021 foram registrados 397 casos de agressões. Já entre 2022 e 2025, o número saltou para 590 ocorrências — crescimento de quase 49% no período mais recente. As agressões verbais lideram as estatísticas, com 459 registros, representando praticamente metade de todos os casos comunicados ao conselho.
Em seguida aparecem os casos classificados como outros tipos de agressão, com 217 ocorrências, além de 208 episódios de assédio moral e 89 agressões físicas. O levantamento também evidencia que as mulheres médicas são as principais vítimas da violência dentro das unidades de saúde.
Das 459 agressões verbais registradas, 297 foram contra mulheres. Nos casos de agressão física, 60 das 89 vítimas também eram médicas. Além disso, o Cremerj registrou 14 ocorrências classificadas especificamente como agressões direcionadas a mulheres médicas.
Outro dado que chama atenção é o local onde a maior parte das ocorrências acontece. Das 987 notificações registradas, 717 ocorreram em unidades públicas de saúde, enquanto 270 foram registradas em estabelecimentos privados.
Osmar Neves
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