Eduardo Paes debate o Sul Fluminense com diretoria da ADR

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Porto Real – Em reunião realizada na quarta-feira (29), em Porto Real, o pré-candidato ao governo do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sentou-se à mesa com empresários, lideranças e representantes da sociedade civil organizada do Sul Fluminense para ouvir, de perto, os gargalos e as oportunidades de uma das regiões mais estratégicas do estado.

O encontro foi promovido pela Agência de Desenvolvimento Regional do Sul Fluminense (DR Sul Fluminense), presidida por Péricles Aguiar, uma das cinco agências regionais que estruturam o diálogo entre poder público e sociedade no Rio de Janeiro. O tom do encontro foi direto: uma região com músculo industrial, posição geográfica privilegiada e enorme potencial turístico ainda convive com infraestrutura precária, mobilidade comprometida e lacunas históricas que travam seu desenvolvimento.

Paes ouviu cada demanda e reconheceu a importância estratégica do Sul Fluminense para qualquer projeto sério de governo.

UMA REGIÃO QUE PRODUZ MUITO E RECEBE POUCO

Encravada entre Rio de Janeiro e São Paulo — os dois maiores mercados consumidores do país —, atravessada pela Via Dutra, o principal eixo logístico do Brasil, e com cidades de peso econômico como Resende, Volta Redonda, Barra Mansa, Porto Real e Quatis, o Sul Fluminense abriga montadoras, polo siderúrgico e um parque industrial que poucos estados do Brasil conseguem rivalizar.

É, portanto, paradoxal que uma região com esse perfil ainda enfrente limitações tão básicas. Foi exatamente esse paradoxo que Péricles Aguiar e os representantes da DR colocaram sobre a mesa para Eduardo Paes.

O GARGALO QUE NINGUÉM QUER VER: A RODOVIA QUE ISOLA UMA REGIÃO

Um dos pontos mais emblemáticos da reunião foi a denúncia sobre mobilidade. Hoje, mais de 1 milhão de moradores do Sul Fluminense que precisam embarcar em um voo internacional têm um dilema: enfrentar as condições da rodovia BR-393 e seguir até o Aeroporto do Galeão, no Rio, ou pegar a Via Dutra em direção a Guarulhos, em São Paulo.
A maioria escolhe Guarulhos. E não é por capricho — é por necessidade. As condições estruturais da BR-393, conhecida como “Rodovia Lúcio Meira”, que conecta o Sul Fluminense ao litoral e ao eixo metropolitano do Rio, transformam uma viagem que deveria ser simples em uma odisséia. O resultado é que o Galeão perde passageiros para Guarulhos por um problema que é do estado, não do aeroporto.

A retomada ou ampliação do projeto da chamada “Dutra 2” — uma nova rota que aliviaria o tráfego e modernizaria a conexão da região com o restante do estado — foi apontada como projeto estruturante e urgente.

MIL CARRETAS POR DIA INDO PARA SANTOS: O PREJUÍZO QUE O RIO DEIXA ESCAPAR

Outro dado que chamou atenção na reunião: diariamente, cerca de mil carretas circulam entre o Sul Fluminense e o Porto de Santos, em São Paulo — somando ida e volta. O motivo é que o Porto de Angra dos Reis, que deveria ser a saída natural da produção regional, ainda não oferece condições competitivas para absorver esse fluxo.

O custo para desembaraçar um contêiner em Angra chega a ser proibitivo, com cerca de 20% em impostos destinados ao estado — uma alíquota que inviabiliza a competitividade e empurra o escoamento da produção regional para fora do Rio de Janeiro, beneficiando a economia paulista.

A solução apresentada pelos representantes da DR passa por investimento no setor ferroviário, criando uma rota eficiente de escoamento da produção até Angra dos Reis. Com uma linha ferroviária funcional, o Porto de Angra poderia se tornar uma alternativa real e competitiva ao Porto de Santos — mantendo no Rio de Janeiro a riqueza gerada no Rio
de Janeiro.

TURISMO: POTENCIAL DE CLASSE MUNDIAL, INFRAESTRUTURA DE INTERIOR

Se há uma área em que o contraste entre o que a região tem e o que a região oferece é mais evidente, é o turismo. O
Sul Fluminense detém um dos roteiros mais ricos e diversificados do Brasil — e ainda não sabe, plenamente, como vendê-lo ao mundo.

A ADR apresentou a proposta de criação de um circuito integrado de turismo que conecte os principais atrativos da região
de forma estruturada. O roteiro potencial é de fazer inveja a qualquer destino nacional: Angra dos Reis, com suas mais de 300 ilhas e o mar mais azul do país; Mauá, com sua beleza serrana e atmosfera alternativa; a Serra da Mantiqueira e o Parque Nacional de Itatiaia, com a Pedra do Agulhas Negras; e Paraty, Patrimônio Mundial da UNESCO, com seu centro histórico tombado e sua cachaça artesanal reconhecida internacionalmente.

O problema não é o produto — é a operação. O receptivo turístico da região ainda é deficiente em infraestrutura, sinalização, conectividade e serviços de qualidade. Sem isso, o turista chega por conta própria, gasta menos do que poderia e não volta tão cedo. A demanda por mais recursos para promoção de eventos e o fortalecimento da cadeia de
receptivo turístico foram pautas centrais do encontro.

EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA: PREPARAR A MÃO DE OBRA PARA O FUTURO QUE JÁ CHEGOU

Com montadoras instaladas e um polo industrial consolidado, o Sul Fluminense enfrenta um desafio crescente: a automação e a transformação tecnológica estão mudando o perfil da mão de obra necessária, e a região precisa se
antecipar. A ADR apresentou a Eduardo Paes a necessidade de investimentos em educação técnica e tecnologia, como eixo complementar ao desenvolvimento econômico.

Uma região que produz aço, automóveis e cimento também precisa produzir engenheiros, técnicos em automação, desenvolvedores e gestores qualificados. Sem essa base, o Sul Fluminense corre o risco de ser um polo industrial com trabalhadores especializados vindos de fora.

PAES OUVE, RECONHECE E SINALIZA

Ao longo da reunião, Eduardo Paes demonstrou conhecimento do contexto regional e reconheceu o peso político e
econômico do Sul Fluminense para qualquer projeto de governo estadual. Em sua avaliação, o planejamento para a região precisa ser ambicioso — palavra que ele mesmo usou — à altura de uma área que reúne produção industrial, potencial logístico e turístico de primeira grandeza.

O encontro em Porto Real integra uma agenda mais ampla de escuta regional que Paes tem conduzido pelas diferentes
agências de desenvolvimento do estado. São cinco agências no total, cada uma representando uma macrorregião do Rio de Janeiro — e o Sul Fluminense, pela sua complexidade e potencial, exige uma pauta à altura.

O próximo passo, segundo a ADR, é o aprofundamento das propostas em documentos técnicos a serem apresentados formalmente ao pré-candidato, transformando o diálogo de hoje em política pública de amanhã.

Vivian Costa e Silva

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