Projeto no Centro-Sul fluminense já protegeu 4,1 km de rios e nove nascentes

Foto: Divulgação
Segundo a Cedae, capacitações também serão intensificadas, tanto para os apenados quanto para técnicos e comunidades locais

Centro-Sul Fluminense – Nove municípios do Centro-Sul fluminense estão unidos em um esforço para proteger os recursos hídricos e combater as crises climática e de biodiversidade. Barra do Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Mendes, Miguel Pereira, Rio Claro, Piraí, Paracambi, Vassouras e Paty do Alferes integram o Programa de Restauração Florestal Corredor Tinguá-Bocaina, criado pela Cedae em parceria com a The Nature Conservancy (TNC) Brasil e o governo do Rio. A iniciativa busca restaurar 10 mil hectares até 2030, garantindo segurança hídrica para mais de 9 milhões de pessoas e preservando a Mata Atlântica.

O programa de restauração florestal Tinguá-Bocaina tem como diferencial a inclusão social por meio da participação de apenados do sistema prisional em atividades produtivas, como coleta de sementes, produção de mudas e plantio em áreas degradadas. Segundo relatório de progresso, 4,1 quilômetros de rios foram protegidos e nove nascentes preservadas, ações consideradas fundamentais para a segurança hídrica da região.

Além disso, Paracambi, Mendes e Piraí avançam na criação de programas municipais de restauração, e as áreas mobilizadas estão sendo registradas no Portal da Mantiqueira, plataforma gratuita de georreferenciamento que amplia a transparência do projeto. Em 2024, foram restaurados e conservados 107 hectares, com o plantio de 21.200 mudas, incluindo oito espécies ameaçadas de extinção.

Cerca de 300 hectares de propriedades em Piraí, Paracambi, Miguel Pereira, Mendes e Engenheiro Paulo de Frontin já estão mobilizados em diferentes estágios de desenvolvimento. As primeiras atividades em campo devem começar em breve.

O programa também atua na criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) e firmou parceria com o Exército Brasileiro para restaurar áreas em Paracambi, Seropédica e Japeri, conectando fragmentos florestais da região. Outra frente é a pesquisa com a palmeira-juçara, desenvolvida com o Instituto Serra do Tangará, que busca aprimorar métodos de plantio e recuperação ecológica.

Desafio

O avanço da restauração se torna ainda mais relevante frente ao diagnóstico alarmante sobre a qualidade dos rios da Mata Atlântica. “Cuidar das florestas é, na prática, cuidar da água. As matas garantem a regulação do ciclo hidrológico, protegem nascentes e influenciam diretamente a segurança hídrica de milhões de pessoas”, reforça Adriana Kfouri, da TNC Brasil.

Em 2024, com foco na mitigação dos impactos causados pelas mudanças climáticas, uma das diretrizes centrais do Programa, foi elaborado o Plano Municipal de Manejo Integrado do Fogo de Paracambi, medida estratégica para a redução de riscos e o fortalecimento da resiliência das bacias hidrográficas. Além disso, foram conduzidos estudos técnicos para a implantação de projetos de carbono no âmbito do Programa, com o objetivo de integrar ações de restauração e conservação à agenda climática, promovendo maior segurança hídrica e sustentabilidade territorial.

 Apenados recebem capacitação e salário em projeto de reflorestamento

O Programa também trabalha o impacto social das ações implementadas, com destaque para o envolvimento de comunidades e apenados no processo de restauração florestal. Em 2024, foram realizadas 12 capacitações, totalizando 178 participantes, em ações voltadas ao fortalecimento de capacidades locais e à geração de conhecimento.

Atualmente, 22 apenados atuam nas frentes de restauração florestal, recebendo capacitação técnica, salário e benefícios que somaram R$ 193.600,00 apenas entre setembro e dezembro de 2024.

“Essa integração da agenda ambiental com a social é fundamental. Estamos mostrando que é possível restaurar florestas, gerar benefícios climáticos, proteger mananciais e, ao mesmo tempo, oferecer novas oportunidades para pessoas que buscam recomeçar”, destaca Paulo Henrique Pereira Reis, gerente de responsabilidade socioambiental da Cedae.

Este ano, o Programa está ampliando as áreas mobilizadas para restauração, expandindo a infraestrutura dos viveiros florestais da Cedae e fortalecendo as parcerias institucionais. Além disso, está sendo constituído um Conselho Gestor, cuja missão será compatibilizar, integrar e otimizar a relação das instituições com o território. As capacitações também serão intensificadas, tanto para os apenados quanto para técnicos e comunidades locais, assim como serão aprimoradas as soluções de monitoramento das áreas restauradas.

 

 

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Mayra Gomes

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