Chery pode assumir fábrica da Jaguar em Itatiaia
Sul Fluminense – A fábrica da Jaguar Land Rover (JLR) em Itatiaia, no Sul Fluminense, pode passar por uma mudança estratégica que pretende reposicionar a indústria automotiva da região. O grupo chinês Chery, por meio da marca Omoda & Jaecoo, deve assumir, nos próximos meses, a unidade e prepara uma ampliação agressiva da produção, com capacidade prevista de até 100 mil veículos por ano, quase quatro vezes acima do limite atual de 24 mil unidades.
A operação, que deve confirmada pela marca, pode pôr fim da produção local da JLR — que prevê encerramento até julho — e o início de uma nova fase industrial voltada à produção de SUVs, com foco em modelos híbridos e eletrificados. A expectativa é que a produção nacional comece ainda no segundo semestre.
A planta de Itatiaia foi inaugurada em 2016 com investimento superior a R$ 1 bilhão e chegou a ser considerada estratégica para a expansão da marca britânica fora da Europa. No entanto, o desempenho comercial ficou muito abaixo do esperado. Em 2025, os dois principais modelos produzidos localmente — Discovery Sport e Range Rover Evoque — somaram menos de 800 unidades vendidas, volume insuficiente para sustentar a operação.
Com a decisão de reposicionar sua atuação global no segmento de ultraluxo, a Jaguar Land Rover optou por encerrar a produção no Brasil e negociar a unidade. A Chery, que já buscava uma base industrial no país para ampliar sua presença, encontrou em Itatiaia uma alternativa mais rápida e eficiente, aproveitando uma estrutura já pronta.

Nova estratégia: volume, eletrificação e exportação
A possível chegada da Omoda & Jaecoo representa uma mudança de perfil da fábrica. Sai a produção de baixo volume voltada ao segmento premium e entra uma estratégia baseada em escala, com veículos mais acessíveis e tecnologia híbrida.
Entre os modelos cotados para produção está o Omoda 4, um SUV compacto com motor 1.0 turboflex e versão híbrida (HEV), além de outros modelos eletrificados. A meta da empresa é vender cerca de 50 mil veículos no Brasil e usar a unidade de Itatiaia como plataforma de exportação para América Latina.
A ampliação da capacidade exigirá adaptações estruturais na planta, incluindo mudanças nas linhas de montagem para atender às novas plataformas tecnológicas dos veículos chineses.
Divulgação
Impacto econômico regional
A operação tem potencial direto de impacto econômico no Sul Fluminense. A retomada da produção em escala industrial tende a reaquecer a cadeia automotiva local, com reflexos em empregos, fornecedores e serviços.
Além disso, a utilização de uma planta já existente reduz o tempo de implantação e acelera o início das atividades, o que pode antecipar os efeitos econômicos na região.
A troca de comando em Itatiaia pode simbolizar uma mudança mais ampla no mercado brasileiro. Enquanto montadoras tradicionais enfrentam desafios de competitividade e reposicionamento global, marcas chinesas avançam com estratégias agressivas baseadas em custo, tecnologia e eletrificação.
Com modelos híbridos e preços projetados abaixo de R$ 200 mil, a Omoda & Jaecoo entra para disputar espaço com marcas consolidadas como Jeep e Toyota, em um dos segmentos mais dinâmicos do país.
Para o mercado, a produção local também pode significar redução de custos e maior competitividade, já que elimina parte das despesas de importação e amplia o acesso a incentivos fiscais.
Polo automotivo do Sul Fluminense gera mais de 20 mil empregos
O Sul Fluminense consolidou-se, nas últimas três décadas, como um dos principais polos automotivos do Brasil, com forte concentração industrial nos municípios de Resende, Porto Real e Itatiaia. O cluster reúne hoje grandes montadoras globais, cadeia de fornecedores estruturada e forte impacto direto na economia regional.
O desenvolvimento começou em 1996, com a instalação da Volkswagen Caminhões e Ônibus em Resende, e se expandiu com a chegada de outras multinacionais. Atualmente, o polo conta com montadoras como Stellantis, Nissan, Volkswagen, Hyundai e Jaguar Land Rover Ao redor dessas empresas, há mais de 20 fornecedores e sistemistas integrados à cadeia produtiva.
Hoje, o cluster automotivo do Sul Fluminense é considerado o segundo maior do Brasil em capacidade produtiva e número de empresas, com forte peso na economia do estado do Rio. A cadeia automotiva regional já gera mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, com salários acima da média e elevado nível de qualificação técnica.
Vinicius





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