Guerra no Oriente Médio pode redesenhar mercado global de energia até 2050
Mundo – A guerra no Oriente Médio já provoca efeitos profundos e duradouros no mercado global de energia e deve acelerar uma transformação estrutural no setor nas próximas décadas. Mesmo com uma eventual normalização do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, especialistas avaliam que o fornecimento de commodities estratégicas ainda levará tempo para retornar aos níveis pré-conflito.
Em declaração conjunta, a Agência Internacional de Energia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial destacaram que os impactos da guerra já atingem diretamente a estabilidade da indústria energética global.
“Devido a interrupções no fornecimento, a escassez de insumos-chave provavelmente terá implicações para energia, alimentos e outras indústrias. A guerra também deslocou pessoas à força, impactou empregos e reduziu viagens e turismo, o que pode levar tempo para reverter”, afirmaram as instituições.
O cenário é agravado pelos danos à infraestrutura energética em países do Golfo Pérsico, após ataques envolvendo o Irã contra instalações em nações vizinhas, como Kuwait, Bahrein e Arábia Saudita. Com isso, combustíveis e fertilizantes devem permanecer com preços elevados por um período prolongado.
Mudança estrutural no consumo de energia
Projeções da consultoria Wood Mackenzie indicam que o conflito pode provocar uma mudança estrutural no sistema energético global. A expectativa é de que a dependência de petróleo e gás diminua significativamente até 2050.
Segundo o estudo, a demanda por petróleo pode cair até 20%, enquanto o consumo de gás natural pode recuar cerca de 10% em relação ao cenário atual. Ao mesmo tempo, países devem priorizar segurança energética e reduzir a dependência de importações.
“Os sistemas energéticos tornam-se mais locais, mais diversificados e menos dependentes do comércio internacional complexo”, explicou Jom Madan.
O movimento deve impulsionar a eletrificação e ampliar o uso de fontes alternativas. A geração nuclear, por exemplo, pode crescer até 40% acima do previsto, enquanto as energias renováveis tendem a se consolidar como base dos sistemas energéticos domésticos.
“Eletrificação e energia nuclear têm prioridade, enquanto hidrogênio e captura de carbono são despriorizados devido a considerações de custo, eficiência e segurança”, acrescentou o analista.
Apesar disso, o cenário de transição não será linear. No curto prazo, o uso do carvão pode aumentar em até 20%, à medida que países buscam alternativas rápidas para garantir o abastecimento energético.
Tensões continuam elevadas
Enquanto o mercado projeta mudanças de longo prazo, o conflito segue sem um desfecho claro. Os Estados Unidos intensificaram as medidas de pressão ao impor restrições à navegação de embarcações ligadas ao Irã no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo.
O presidente Donald Trump elevou o tom ao comentar o bloqueio.
“Aviso: se algum desses navios iranianos se aproximar do nosso bloqueio, será imediatamente eliminado”, declarou.
Apesar da escalada, Trump também indicou a possibilidade de negociação.
“O Irã não terá uma arma nuclear… Se eles não concordarem, não haverá acordo. Nunca haverá”, afirmou, ao mencionar as condições para um possível entendimento.
O presidente ainda disse que o governo iraniano teria buscado diálogo “por meio das pessoas certas” após o endurecimento das medidas.
Diante desse cenário, analistas apontam que a volatilidade deve continuar elevada nos mercados globais, com impactos diretos sobre energia, alimentos e cadeias produtivas. Ao mesmo tempo, a crise reforça a tendência de transformação do setor energético, com maior diversificação de fontes e redução gradual da dependência de combustíveis fósseis. Com informações da Petronotícias.
Vinicius
https://diariodovale.com.br/destaque/guerra-no-oriente-medio-pode-redesenhar-mercado-global-de-energia-ate-2050/
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