BR-393: Ação na Justiça e audiência pública pressionam Governo Federal

katia miki barradopirai

Foto: Divulgação

Sul Fluminense – Quem trafega pela estrada e precisa da sinalização para se guiar tem dificuldades para saber onde está. Mas os buracos espalhados pela pista não deixam dúvidas. Trata-se da BR-393, a Rodovia Lúcio Meira. Um corredor logístico importante não só para o Sul Fluminense, com 200km no trecho da região, mas também para o país, como uma das principais ligações entre o Sul e o Nordeste.

“É uma artéria logística importante e é necessário que haja uma solução, tanto para questões de curto prazo, que dizem respeito à recuperação do pavimento; e também uma solução definitiva para médio e longo prazo, para a retomada dos investimentos que estão previstos para aquela região”, afirmou Isaque Ouverney, gerente de infraestrutura da Firjan.

Desde junho de 2025, quando a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou a caducidade da concessão da K-Infra (concessionária que administrava a rodovia), a estrada virou um verdadeiro pesadelo para os motoristas. A rodovia, que está sob gestão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), teve pedágio e balanças desativados, o que aumentou o fluxo de veículos pesados. Sem manutenção periódica, os buracos se multiplicaram. O protético Guilherme Mendes viaja toda semana de Juiz de Fora, em Minas Gerais, para Volta Redonda, disse que já amassou a roda do carro diversas vezes.

“É difícil trafegar. Eu volto à noite, e quando chove você não vê os buracos. Eu tenho que desenvolver algumas artimanhas para evitar cair. Mas as duas rodas dianteiras do meu carro já estão amassadas por causa disso. Eu torço para não chover na volta, para eu ter uma visibilidade melhor da estrada”, disse Guilherme.

O caminhoneiro Antônio Cândido também reclama do estado de conservação da estrada.

“É perigoso, principalmente para trafegar à noite, porque de dia a gente ainda consegue ver

e desviar um pouco do buraco. Mas à noite, geralmente quando a gente vê, já está passando por cima. Então isso sempre tem o risco e pode causar um acidente”, comentou o condutor.

A rodovia não conta mais com equipe de socorristas e nem veículos de emergência. Com as bases vazias, os condutores estão abandonados à própria sorte. A equipe de reportagem do Diário do Vale flagrou um veículo parado no acostamento com o pneu furado graças às crateras no asfalto. O motorista deixou o pisca-alerta ligado e foi embora, em busca de resgate. Os acidentes, aliás, aumentaram desde que a Lúcio Meira ficou sem concessão. Só nesta semana, uma batida entre duas carretas deixou um caminhoneiro gravemente ferido, em Barra do Piraí; e uma colisão deixou um motociclista morto em Paraíba do Sul e outro, em Vassouras. Autoridades da região se queixam que serviços essenciais, como o atendimento médico, antes prestado pela concessionária, ficaram por conta dos municípios, causando impactos financeiros.

“Os municípios vem sofrendo muito, tendo que absorver muitos serviços aqui na rodovia. Como o serviço de ambulância, por exemplo. A gente teve que disponibilizar nossa viatura. A remoção de animais e a roçada também ficaram sob nossa responsabilidade, o que acaba impactando as demandas dentro do município”, analisou Katia Miki, prefeita de Barra do Piraí.

PGM impetra Ação Civil Pública contra o DNIT

Em janeiro deste ano, o então ministro dos transportes, Renan Filho, e representantes do DNIT visitaram o Sul Fluminense. Eles prometeram aos prefeitos da região a realização de investimentos emergenciais, principalmente uma operação tapa-buracos e também a capina do mato alto. Só que tudo isso ficou no campo das promessas. Desde então, pouca coisa mudou e a estrada continua com jeito de abandonada.

“Isso foi em janeiro de 2026, mas nós já estamos em abril. E até agora, nenhum desses serviços foi efetivamente concretizado. A gente teve pequenos reparos ao longo da rodovia, mas a gente precisa de muito mais. Esses serviços não aconteceram, nem de roçada e nem de tapa-buraco. E a situação vem se agravando cada vez mais”, complementou Katia.

Para cobrar ações mais rápidas e aumentar a segurança na rodovia, a Procuradoria Geral do Município de Barra do Piraí entrou com uma ação civil pública na Justiça Federal de Barra do Piraí. O objetivo é cobrar que o Governo Federal realize o mais rápido possível reformas emergenciais na via.

“A gente chegou num ponto de abandono e de omissão por parte do órgão responsável pela rodovia. O município de Barra do Piraí não teve outra escolha senão ajuizar uma demanda

perante à Justiça, para que a juíza avalie a situação e possa nos conceder uma tutela antecipada, obrigando o DNIT a atuar, fazendo mais emergencial. A gente não pode esperar uma ação enquanto acontecem mortes e acidentes todos os dias”, finalizou a prefeita.

A Firjan também se movimenta em prol de melhorias na BR-393. A entidade vai participar de uma audiência pública no dia 14 de abril, na Comissão de Viação e Transportes, em Brasília. O encontro tem como foco a discussão das condições atuais da rodovia e as perspectivas para sua recuperação; além de propor uma nova modelagem de concessão, para aumentar investimentos e melhorar a gestão da rodovia.

 

 

 

Mayra Gomes

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