Pesquisa revela por que ultraprocessados dominam a mesa de muitas famílias

País – Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira (31) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) aponta que fatores sociais e econômicos têm levado muitas famílias brasileiras a incluírem alimentos ultraprocessados na rotina alimentar das crianças. O levantamento mostra que a sobrecarga das mães, o preço mais acessível desses produtos e até questões emocionais ajudam a explicar esse consumo.

O estudo ouviu cerca de 600 famílias de comunidades urbanas em Belém (PA), Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ). Apesar de a maioria dos entrevistados afirmar que se preocupa com uma alimentação saudável, os ultraprocessados aparecem com frequência nas refeições das crianças. Em metade dos lares pesquisados, esses produtos faziam parte do lanche, enquanto em um de cada quatro também estavam presentes no café da manhã.

Entre os itens mais consumidos estão iogurtes com sabor, embutidos, biscoitos recheados, refrigerantes e macarrão instantâneo. Segundo o Unicef, esses alimentos costumam ser mais baratos, práticos e atrativos, mas o consumo frequente está associado ao aumento do risco de doenças como obesidade, diabetes, problemas cardíacos e até alguns tipos de câncer.

A pesquisa também chama atenção para o peso da rotina doméstica, especialmente sobre as mulheres. De acordo com o levantamento, a maioria das mães é responsável por comprar, preparar e servir os alimentos das crianças, acumulando funções dentro e fora de casa. Esse cenário, segundo o estudo, acaba favorecendo a escolha por produtos prontos ou de preparo rápido.

Outro ponto destacado é a dificuldade de identificar o que realmente é saudável. Muitos entrevistados classificaram como positivos alimentos que também entram na categoria dos ultraprocessados, como iogurtes industrializados e nuggets. Além disso, boa parte das famílias afirmou não compreender os alertas da rotulagem frontal ou simplesmente não levar essas informações em conta na hora da compra.

O levantamento mostra ainda que há uma percepção forte de que refrigerantes, salgadinhos e sucos de caixinha custam menos, enquanto frutas, verduras, legumes e carnes são vistos como caros. Em entrevistas mais aprofundadas, pesquisadores também identificaram um componente afetivo: muitos pais e mães associam a compra desses produtos à possibilidade de oferecer aos filhos algo que não tiveram na infância.

Diante desse cenário, o Unicef defende medidas como ampliar a orientação alimentar nos serviços de saúde, fortalecer a alimentação escolar, investir em campanhas educativas, apoiar iniciativas comunitárias e avançar em políticas públicas para reduzir a presença dos ultraprocessados no dia a dia das crianças.

luciano junior

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