Energia nuclear entra no debate presidencial no Nuclear Summit 2026

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Foto: Divulgação

Rio – Na abertura do Nuclear Summit 2026, realizado na Firjan, o presidente da Frente Parlamentar de Energia Nuclear, deputado Julio Lopes (PP), defendeu que os pré-candidatos à Presidência da República apresentem propostas concretas para o uso da energia nuclear no país.

Segundo o parlamentar, este é o momento ideal para que o setor cobre dos políticos um posicionamento claro sobre o tema. Ele destacou a necessidade de maior mobilização política e institucional para fortalecer essa fonte energética estratégica.

Comparação com térmicas a gás reforça defesa de Angra 3

Julio Lopes criticou os recentes leilões de capacidade de usinas térmicas a gás conduzidos pelo Ministério de Minas e Energia, apontando desequilíbrio nos investimentos.

De acordo com ele, foram destinados cerca de R$ 40 bilhões para novas usinas que devem gerar aproximadamente 1.007 megawatts. Em contraste, a conclusão de Angra 3 exigiria cerca de R$ 25 bilhões e teria capacidade de gerar aproximadamente 1.400 megawatts.

O deputado também ressaltou a diferença nos custos para o consumidor:

Angra 3: cerca de R$ 650 mensais por terminal

Novas térmicas: cerca de R$ 700 mensais por terminal

Para ele, o entrave da usina nuclear não é financeiro, mas político.

“O problema de Angra 3 não é dinheiro; o que falta é vontade política e determinação. Seria mais barato e eficiente investir na usina, gerando economia para milhões de consumidores”, afirmou.

Mobilização e novo grupo de trabalho entram na pauta

O parlamentar também defendeu a criação de um grupo de trabalho com representantes do setor para formular novas estratégias de expansão da energia nuclear no Brasil, tanto no âmbito civil quanto militar.

Ele citou ainda o “Project One”, já estruturado pelo BNDES, como alternativa de financiamento, destacando o modelo semelhante ao adotado na Usina de Itaipu, em que a própria geração futura custeia a obra.

“A continuidade de Angra 3 é fundamental para a segurança energética do país”, completou.

Resultados do LRCAP 2026 no Rio de Janeiro

Novas usinas contratadas

  • 2028: Nova Era Piraí (Natural Energia) — 180 MW
  • 2028: Porto Norte Fluminense I (Eneva) — 122 MW
  • 2029: Porto Norte Fluminense II (Eneva) — 238 MW
  • 2029: Tupã (GPE) — 176 MW
  • 2031: Porto Norte Fluminense II (Eneva) — 291 MW

Total: 1.007 MW
Receita total: R$ 40 bilhões

Usinas existentes recontratadas

  • 2026: Santa Cruz (J&F) — 500 MW
  • 2026: Seropédica (Petrobras) — 360 MW
  • 2026: Norte Fluminense (EDF) — 826 MW
  • 2027: Termomacaé (Petrobras) — 900 MW
  • 2028: Porsud I (KPS) — 116 MW
  • 2028: Porsud II (KPS) — 78 MW
  • 2028: Karkey 013 (KPS) — 258 MW
  • 2028: Karkey 019 (KPS) — 115 MW

Total: 3.156 MW
Receita total: R$ 70 bilhões

 

Mayra Gomes

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