CSN fecha crédito bilionário com juros abaixo do mercado
Foto – Wesllen Souza
São Paulo – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou ao mercado e aos acionistas, nesta sexta-feira (20), a contratação de um empréstimo sindicalizado de US$ 1,2 bilhão, podendo chegar a US$ 1,4 bilhão, com taxa de SOFR + 6% ao ano — bem abaixo dos cerca de 15% ao ano em dólar projetados pelo mercado. A operação, firmada com bancos internacionais e nacionais, reforça o caixa da empresa e integra a estratégia para enfrentar o alto nível de endividamento, que fechou 2025 em R$ 41,2 bilhões, com alavancagem de 3,47 vezes o EBITDA.
A operação foi estruturada com a participação de instituições como Morgan Stanley, Citi, HSBC, BNP Paribas, XP, Banco do Brasil e Bradesco, e tem como objetivo principal o refinanciamento de dívidas e o alongamento do perfil financeiro da companhia.
O contrato conta com garantias da própria CSN e da CSN Cimentos, um dos ativos estratégicos do grupo que também está no radar de venda como parte do plano de desinvestimentos anunciado no início de 2026.
O movimento ocorre em um momento de forte pressão sobre a estrutura de capital da empresa, após um ano marcado por desafios operacionais na siderurgia e impacto do aumento dos juros. A captação antecipa recursos enquanto a companhia avança na negociação de ativos, em uma tentativa de reduzir a alavancagem e melhorar a liquidez no curto prazo.
No mercado financeiro, a taxa final da operação foi vista como um sinal positivo. O custo abaixo do esperado indica confiança das instituições credoras na capacidade de recuperação da CSN, mesmo diante de um cenário global mais restritivo para crédito.
A expectativa da companhia é que, combinando a venda de ativos, a reorganização da dívida e um ambiente mais favorável para a siderurgia em 2026, seja possível iniciar um novo ciclo de crescimento com maior equilíbrio financeiro.
Mayra Gomes


Publicar comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.