CSN encerra 2025 com pressão do aço importado na siderurgia

São Paulo – A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) encerrou o quarto trimestre de 2025 em um cenário desafiador para a siderurgia, marcado pela forte concorrência de aço importado e por paradas de manutenção na Usina Presidente Vargas (UPV), em Volta Redonda. Mesmo com queda no volume de produção ao longo do ano, a companhia conseguiu melhorar a eficiência operacional e preservar margens em meio a um ambiente competitivo mais duro.

No mercado global, a produção de aço bruto somou 1,84 bilhão de toneladas em 2025, retração de 2% em relação ao ano anterior, segundo a World Steel Association. O Brasil manteve a 9ª posição no ranking mundial, com 33,3 milhões de toneladas produzidas, queda de 1,6%.

No caso da CSN, a produção de placas na UPV totalizou 794 mil toneladas no quarto trimestre, crescimento de 9,3% em relação ao trimestre anterior, mas ainda 17,6% abaixo do mesmo período de 2024, reflexo da manutenção de um dos altos-fornos da usina.

No acumulado do ano, a produção atingiu 3,1 milhões de toneladas, retração de 17,7%. Os resultados do grupo estão sendo divulgado oficialmente neste quinta-feira (12).

Produção mostra recuperação ao longo do ano

Apesar das dificuldades, o desempenho operacional apresentou sinais de recuperação no fim do ano. A produção de aços planos, principal segmento da companhia, chegou a 791 mil toneladas no quarto trimestre, o maior volume trimestral de 2025 e alta de 7,1% frente ao trimestre anterior.

No acumulado anual, no entanto, o volume foi de 3,1 milhões de toneladas, queda de 11,7%.

Já a produção de aços longos, voltada principalmente à construção civil, atingiu 63 mil toneladas no quarto trimestre, crescimento de 15,7% em relação ao trimestre anterior. Em 2025, o total foi de 239 mil toneladas, praticamente estável frente a 2024.

Vendas caem com pressão de importações

As vendas totais de aço no quarto trimestre somaram 995 mil toneladas, queda de 5,9% em relação ao trimestre anterior e de 15,3% frente ao mesmo período de 2024. No mercado interno, foram 757 mil toneladas, enquanto as vendas externas alcançaram 238 mil toneladas. Pela primeira vez desde 2019, a companhia não realizou exportações diretas, com toda a comercialização internacional sendo feita por subsidiárias no exterior.

No acumulado do ano, as vendas atingiram 4,21 milhões de toneladas, retração de 7,5% frente a 2024.

Segundo a companhia, a queda reflete o elevado nível de estoques entre distribuidores e a entrada crescente de aço importado no mercado brasileiro.

Construção civil lidera demanda

Entre os setores consumidores de aço, a construção civil respondeu por 22% das vendas, seguida por distribuição (33,3%) e linha branca (10,9%). O segmento automotivo, por sua vez, perdeu participação diante da concorrência de materiais importados. A produção de veículos no Brasil alcançou 2,64 milhões de unidades em 2025, crescimento de 3,5% na comparação anual, ajudando a sustentar parte da demanda por aço no país.

A receita líquida da siderurgia atingiu R$ 5,23 bilhões no quarto trimestre, queda de 1,2% em relação ao trimestre anterior. No acumulado de 2025, o faturamento somou R$ 22 bilhões, retração de 5%.

O preço médio no mercado doméstico ficou em R$ 4.893 por tonelada, 4,6% abaixo do registrado um ano antes, refletindo a pressão competitiva das importações. Apesar disso, a companhia avançou na redução de custos. O custo de produção da placa caiu para R$ 3.203 por tonelada, o menor nível desde 2021.

Margens em recuperação

O EBITDA ajustado da siderurgia chegou a R$ 700 milhões no quarto trimestre, alta de 63,5% frente ao trimestre anterior e de 6,8% na comparação anual.  No acumulado de 2025, o EBITDA do segmento atingiu R$ 2,19 bilhões, crescimento de 36,9% em relação a 2024, com margem de 10%. Segundo a empresa, a melhora foi impulsionada por ganhos de eficiência e disciplina comercial, mesmo em um ambiente de mercado adverso.

Expectativa para 2026

A CSN avalia que as medidas antidumping contra produtos importados e um cenário de preços mais favorável podem ajudar na recuperação das margens siderúrgicas ao longo de 2026.

Para a companhia, a combinação de maior eficiência produtiva, redução de custos e possível melhora do ambiente de mercado pode transformar novamente a siderurgia em um dos principais vetores de crescimento do grupo.

 

Vinicius

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