Petróleo dispara e pode chegar a US$ 100 com crise no Golfo

Foto: Alexandre Brum – Petrobrás

Internacional – Mesmo com os mercados futuros fechados no fim de semana, operadores do setor de commodities já registram forte alta nos contratos de petróleo negociados no mercado de balcão. O barril do tipo Brent crude subiu cerca de 10% neste domingo, alcançando US$ 80, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã elevarem o risco de uma guerra de maiores proporções no Oriente Médio.

Na sexta-feira, antes do fechamento do mercado, o Brent havia atingido US$ 73 por barril — o maior valor desde julho — impulsionado pelas crescentes tensões geopolíticas. Analistas avaliam que, com a reabertura das negociações, os preços podem se aproximar ou até ultrapassar US$ 100, a depender da evolução do conflito.

O principal fator de preocupação é a possível interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% do petróleo comercializado globalmente. Após alertas emitidos por Teerã, a maioria dos proprietários de petroleiros e grandes companhias do setor suspendeu embarques de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pela hidrovia.

Especialistas alertam que um eventual bloqueio total do estreito poderia provocar um choque de oferta semelhante ao observado na década de 1970. Estimativas indicam que a interrupção poderia retirar entre 8 e 10 milhões de barris por dia (bpd) do mercado, mesmo considerando rotas alternativas como o oleoduto Este-Oeste da Arábia Saudita e o sistema de Abu Dhabi.

Embora o grupo Opep+ tenha anunciado aumento modesto de 206 mil barris por dia a partir de abril — equivalente a menos de 0,2% da demanda global — analistas consideram a medida insuficiente para compensar eventuais perdas significativas.

As projeções variam. Há estimativas de que o petróleo possa abrir próximo de US$ 100 por barril, enquanto análises mais conservadoras apontam manutenção acima de US$ 90 no curto prazo. A consultoria Rystad prevê avanço imediato de US$ 20, levando o Brent para cerca de US$ 92 quando o mercado reabrir.

A instabilidade também mobiliza governos e refinarias asiáticas, que avaliam estoques e rotas alternativas de suprimento. A Índia, por exemplo, pode ampliar a compra de petróleo russo para compensar eventuais perdas do Oriente Médio.

O cenário reforça o temor de que a crise entre Irã, Estados Unidos e Israel provoque não apenas impactos geopolíticos, mas também um novo ciclo de pressão inflacionária global, impulsionado pela alta dos preços da energia.

Osmar Neves

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