Grupo J&F avalia compra da CSN Cimentos, diz jornal
Controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, o Grupo J&F Investimentos, dono da multinacional JBS, analisa a aquisição do controle da CSN Cimentos, braço de cimento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em um negócio estimado em ao menos R$ 10 bilhões, já incluindo dívidas. A informação foi divulgada nesta sexta-feira pelo jornal Estado de S. Paulo, com base em informações de pessoas próximas às negociações.
A eventual venda é descrita como peça central do plano de desinvestimentos anunciado no início de janeiro por Benjamin Steinbruch, controlador da CSN, com o objetivo de reduzir o elevado endividamento líquido do grupo, próximo de R$ 40 bilhões. A meta apresentada é arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, com a alienação do controle da cimenteira como pilar do programa para reduzir a alavancagem financeira.
Segundo a reportagem, a CSN Cimentos teria sido oferecida há menos de um mês à J&F, que demonstrou interesse. O processo estaria em estágio preliminar, conforme interlocutores, sem conclusão de termos e valores finais. Procuradas, a J&F e a CSN responderam que não vão se manifestar a respeito.
Capacidade – Formada a partir de 2009, a CSN Cimentos tem capacidade de produção de 17 milhões de toneladas por ano, distribuída em 13 fábricas, sendo sete integradas e seis unidades de moagem. As plantas estão concentradas no Sudeste (nove, uma das quais em Volta Redonda), além de presença no Nordeste (três) e no Centro-Oeste (uma).
O parque industrial cresceu a partir de 2021, quando a empresa comprou a Cimento Elizabeth, na Paraíba, e, em 2022, a LafargeHolcim Brasil, com diversas unidades industriais. O desembolso informado nessas aquisições foi de R$ 6 bilhões. Em 2024, a CSN Cimentos também tentou comprar os ativos de cimento da InterCement (grupo Mover) no Brasil e na Argentina, em operação próxima de R$ 10 bilhões incluindo dívidas, mas as negociações não avançaram, e a InterCement entrou com pedido de recuperação judicial. A CSN afirma que o braço de cimento responde por 10,6% da receita total do grupo.
Especialistas ouvidos pelo Estado de S.Paulo estimaram o valor bruto da CSN Cimentos, incluindo dívidas, por múltiplo de 8 vezes a geração de Ebitda, o que levaria a uma faixa entre R$ 10,4 bilhões e R$ 11,2 bilhões. A expectativa relatada é que Steinbruch busque um preço superior a essa referência.
Caso avance, a compra representaria mais um movimento de diversificação da J&F. A relação entre Steinbruch e os irmãos Batista teria se estreitado no ano passado, quando a CSN, sob pressão judicial e do Cade, precisou vender ações que detinha na Usiminas. Steinbruch vendeu 4,99% do capital social da siderúrgica para um fundo ligado à família Batista por cerca de R$ 263 milhões. Nos últimos anos, os Batista também avançaram em mineração, fertilizantes, petróleo e gás e energia. (Foto: Divulgação / Arquivo)
Informa Cidade


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