Barra Mansa inicia ciclo de capacitações em neurodesenvolvimento infantil na rede de saúde – Barra Mansa
Formação mensal qualifica profissionais e reforça o cuidado humanizado às crianças e famílias atípicas
A Secretaria Municipal de Saúde de Barra Mansa deu início, nesta quarta-feira, dia 04, ao ciclo de capacitações em neurodesenvolvimento infantil voltado aos profissionais da rede de saúde do município. A iniciativa tem como objetivo fortalecer a vigilância do desenvolvimento infantil, promover o cuidado integral e ampliar a capacidade de acolhimento das equipes de saúde. As capacitações acontecerão mensalmente e serão ministradas pelas médicas especialistas Clarisse Fortes e Cristiane Pacheco, além da neuropsicóloga Marcele Campos.
A abertura do encontro contou com a presença da vice-prefeita e secretária municipal da Pessoa com Deficiência, Luciana Alves, que destacou a importância do momento para a cidade. Mãe da Ester, criança com síndrome de Down, Luciana falou a partir de sua vivência pessoal sobre o impacto desse avanço na rede municipal.
– Como mãe atípica, eu sei o quanto o acolhimento faz diferença na vida das famílias. Ver a rede municipal dando esse passo, se qualificando e olhando para o desenvolvimento infantil com mais sensibilidade e conhecimento, me deixa muito feliz. Esse cuidado transforma realidades – afirmou Luciana Alves.
Representando a equipe responsável pela execução técnica do programa, a neuropediatra Clarisse Fortes apresentou os objetivos e a estrutura da capacitação, que será voltada às questões da neurodiversidade.
– O projeto foi pensado para oferecer uma base sólida aos profissionais da Atenção Básica. Vamos trabalhar em cinco eixos fundamentais, que são os Fundamentos do Neurodesenvolvimento e Vigilância Clínica; Exame Neurológico na Prática Pediátrica; Transtornos do Neurodesenvolvimento; Avaliação e Intervenção; e Acolhimento, Práticas Comunicativas e Rede de Apoio. A ideia é qualificar o olhar e a prática no cuidado às crianças – explicou Clarisse Fortes.
Durante este primeiro encontro, a médica Cristiane Pacheco abordou o papel central da Atenção Básica na vigilância do desenvolvimento infantil. Ela destacou a importância da caderneta de saúde da criança como principal instrumento de acompanhamento, além de discutir sinais de alerta e os fluxos de encaminhamento preconizados pelo Ministério da Saúde.
– O ser humano não nasce com todas as suas habilidades prontas. É principalmente na primeira infância e ao longo do desenvolvimento, até os 18 anos, que o cérebro amadurece, cria conexões e adquire habilidades. Por isso, o desenvolvimento infantil é responsabilidade direta da Atenção Básica. A identificação precoce muda trajetórias. Cuidar do desenvolvimento é cuidar do futuro, e a Atenção Básica é o primeiro e mais importante passo dessa jornada – ressaltou a médica.
A neuropsicóloga Marcele Campos também reforçou a importância de equipes capacitadas para garantir um atendimento mais amplo e humanizado às crianças e suas famílias.
– Estimular o desenvolvimento infantil não depende de um método único, mas de vínculo, orientação e continuidade. É na Atenção Básica que o cuidado começa, se organiza e se mantém. A equipe multiprofissional tem o papel de integrar e qualificar esse processo – destacou.
Ela também enfatizou a importância da articulação entre saúde, escola e família. “A escola é onde o desenvolvimento se amplia e se generaliza, e a família é o coração do processo, porque é no cotidiano que o cérebro aprende”, concluiu Marcele.
Portal de Notícias-BM
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