Sinais do câncer infantil ainda passam despercebidos no Brasil
Foto: Divulgação
País – Febre persistente, dores de cabeça frequentes ao acordar, manchas roxas sem explicação e caroços pelo corpo estão entre os sinais que merecem atenção imediata. No Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado nesta quarta-feira (4), especialistas reforçam que reconhecer sintomas precocemente pode fazer a diferença no tratamento de crianças e adolescentes, grupo no qual a doença avança rapidamente, mas também apresenta altas chances de cura quando diagnosticada no início.
No Brasil, o câncer é a principal causa de morte por doença entre pessoas de 1 a 19 anos. Ao contrário do que ocorre em adultos, os tumores infantojuvenis raramente estão associados a hábitos de vida ou fatores ambientais. Na maioria dos casos, a origem está ligada a alterações genéticas que surgem ainda durante a gestação, o que torna a prevenção praticamente inviável. Diante desse cenário, o diagnóstico precoce se torna a principal estratégia para aumentar a sobrevida.
Quando identificados em fases iniciais e tratados em centros especializados em oncologia pediátrica, os índices de cura podem chegar a 80%, segundo dados do Hospital do GRAACC. Em alguns tipos de câncer, como o tumor de Wilms, que afeta os rins, e o retinoblastoma, que compromete os olhos, a taxa de sucesso ultrapassa 90%.
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“Quanto mais cedo a doença for descoberta e o tratamento iniciado, maiores são as chances de alcançarmos bons resultados. Em seu estágio inicial, o tumor se encontra no local de origem, ou seja, não se espalhou para outros órgãos ou tecidos”, explica a Dr.ª Monica Cypriano, diretora clínica do Hospital do GRAACC. A especialista destaca ainda que os tumores em crianças costumam responder melhor à quimioterapia tradicional e que o processo de recuperação tende a ser mais rápido do que em adultos.
Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que, entre 2023 e 2025, cerca de 7.930 novos casos de câncer em crianças e adolescentes de até 19 anos devem ser registrados anualmente no país. Como as células infantis estão em constante e acelerada multiplicação durante o crescimento, a evolução da doença também pode ser rápida, o que exige atenção redobrada de pais, responsáveis e profissionais de saúde.
Neste contexto, a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) lançou, para o triênio 2025–2027, a campanha United by Unique, que propõe um cuidado mais humanizado e centrado nas necessidades individuais de cada paciente e de sua família. “No GRAACC, vemos a pessoa antes do paciente e da doença. Durante o tratamento, oferecemos oportunidades de manutenção dos estudos, socialização, brincadeiras e de procedimentos com menos dor. Toda a comunidade do GRAACC, da recepção aos médicos, se empenha em acolher as crianças e suas famílias e a garantir que tenham a perspectiva de um bom e longo futuro”, afirma a dra. Monica.
Apesar de muitos sintomas do câncer infantil se confundirem com doenças comuns da infância, a persistência dos sinais ou a ausência de melhora com tratamentos habituais deve servir de alerta. A recomendação é manter consultas regulares com pediatra, oftalmologista e dentista, além de procurar avaliação médica sempre que algo parecer fora do normal.
Entre os principais sinais que merecem investigação estão febre prolongada sem causa aparente, perda de peso inexplicada, dores ósseas persistentes, convulsões sem febre, fraqueza em um lado do corpo, ínguas que não desaparecem, alterações visuais como reflexo branco nas fotos com flash, inchaços abdominais, presença de sangue na urina, aumento dos testículos, dores articulares sem motivo conhecido e o surgimento de nódulos ou massas sem histórico de trauma.
No Dia Mundial de Combate ao Câncer, o recado dos especialistas é claro: observar, desconfiar e buscar ajuda médica pode salvar vidas.
Mayra Gomes
Sinais do câncer infantil ainda passam despercebidos no Brasil


