Após 50 anos, missão Artemis II leva astronautas novamente rumo à Lua
Foto: Divulgação Tripulação será formada por quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense
EUA – Mais de cinco décadas depois da última missão tripulada rumo à Lua, a NASA se prepara para escrever um novo capítulo da exploração espacial. A missão Artemis II, prevista para decolar entre esta sexta-feira (6) e domingo (8), será o primeiro voo tripulado do projeto Artemis II e colocará novamente astronautas em trajetória lunar, agora com objetivos que vão além da simples chegada ao satélite natural.
Lançada pelo Space Launch System (SLS), o foguete mais potente já construído pela agência espacial norte-americana, a missão levará a cápsula Orion a uma viagem de aproximadamente dez dias ao redor da Lua. Não haverá pouso. O foco está nos testes em ambiente real de espaço profundo, condição essencial para validar sistemas que serão usados em missões futuras, inclusive na superfície lunar e, mais adiante, em direção a Marte.
A tripulação será formada por quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Koch entra para a história como a primeira mulher a integrar uma missão lunar. Durante o percurso, os astronautas realizarão manobras de navegação, checagens completas dos sistemas da Orion e avaliações operacionais com a espaçonave sob controle humano, fora da órbita baixa da Terra.
Diferentemente das missões Apollo, realizadas entre as décadas de 1960 e 1970 em meio à disputa geopolítica da Guerra Fria, o programa Artemis nasce com uma proposta de cooperação internacional. Diversos países e agências espaciais participam do projeto, que busca desenvolver tecnologias para a permanência humana fora da Terra por longos períodos.
A Lua, nesse contexto, deixa de ser apenas destino e passa a ser plataforma. A ideia é utilizá-la como campo de testes para extração de recursos, geração de energia, construção de habitats e adaptação a condições extremas, como baixa gravidade, radiação intensa e grandes variações de temperatura. Os dados obtidos nessas experiências são considerados fundamentais para missões tripuladas mais longas e complexas.
A Artemis II é, portanto, uma etapa decisiva: o elo entre o retorno humano à órbita lunar e o objetivo de estabelecer uma presença sustentável fora do planeta.
Artemis: nome escolhido por acaso?
Na mitologia grega, Artemis é a deusa da Lua, da caça e da proteção. Seu irmão gêmeo, Apolo, é o deus do Sol, nome que ficou marcado na história em 1969, quando a missão Apollo 11 levou os primeiros astronautas à superfície lunar.
Mais de meio século depois, o retorno da humanidade à órbita da Lua acontece sob o nome Artemis. Coincidência? O simbolismo chama atenção, especialmente pelo contexto da missão. Além de recolocar astronautas em trajetória lunar, a Artemis II leva a primeira mulher a participar de um voo com destino ao entorno da Lua, justamente em uma missão batizada com o nome da deusa lunar.
Se o nome foi escolhido como homenagem direta ou apenas como uma boa referência, isso a Nasa não deixou totalmente claro. Mas a conexão chama atenção e ajuda a contar essa nova fase da corrida espacial de um jeito menos técnico.
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Mayra Gomes
Após 50 anos, missão Artemis II leva astronautas novamente rumo à Lua


