Nova Serra das Araras: a obra que também constrói recomeços

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Foto: Diário do Vale

Rio / São Paulo – Todos os dias, antes do sol nascer, mulheres e homens cruzam a Serra das Araras para trabalhar na maior obra de engenharia do Brasil. Mas, para muitos deles, a Nova Serra das Araras não é apenas um canteiro de obras — é o lugar onde a vida começou a mudar.

Na terceira reportagem da série Boas Práticas ESG, o Diário do Vale mostra como a RioSP, uma empresa Motiva, tem colocado o pilar social no centro do projeto, olhando para quem vive, trabalha e sonha ao redor da rodovia.

Ali, entre máquinas e desmontes de rochas controlados, existem casas simples, crianças indo para a escola e comunidades inteiras tentando manter a rotina. São três vilas — Cruzeiro, Cristã e Caiçara — que sempre fizeram parte da paisagem da serra e que hoje também integram do planejamento da obra.

“Essas pessoas não poderiam ser invisíveis para o projeto. A obra foi pensada para conviver com elas”, afirma Virgilius Morais, gerente de implantação da RioSP. Passarelas, acessos e marginais foram desenhados para garantir que moradores continuassem circulando com segurança.

Mas o cuidado não ficou só no papel. Quando pais relataram que o horário das detonações estava prejudicando a entrada das crianças na escola, a rotina da obra mudou.

“A gente ouviu, entendeu a importância disso e ajustou os horários. É sobre respeitar a vida de quem está ali todos os dias”, conta Hellen Arigoni, Relações Institucionais da RioSP.

O impacto que vai além da serra

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Foto: Diário do Vale

O cuidado social também se espalha pelas cidades do entorno. Em Piraí e Paracambi, o Instituto Motiva desenvolve projetos que chegam às escolas, às quadras e às comunidades.

“Em Piraí, mais de 200 crianças já participam de atividades esportivas. Em Paracambi, uma escola recebeu recursos para melhorias baseadas na educação ambiental. São ações que deixam marcas”, afirma Hellen.

Mas talvez o impacto mais visível esteja no emprego. A obra priorizou a contratação de moradores da região. Hoje, cerca de 5 mil pessoas trabalham diretamente na construção, além de milhares de empregos indiretos.

“A cidade mudou. O comércio está mais movimentado, os restaurantes cheios, a hotelaria crescendo. A gente sente isso todos os dias”, diz Dário Braga, secretário de Desenvolvimento Econômico de Paracambi.

Mulheres que decidiram mudar o próprio destino

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Foto: Diário do Vale

Entre as histórias que nasceram no canteiro de obras, algumas emocionam pela coragem. O Canteiro Escola, criado em parceria com a RioSP, a EGTC, a Prefeitura de Paracambi e a Firjan, formou 30 mulheres em pedreira e carpintaria. Todas foram contratadas para trabalhar na obra.

Aos 51 anos, Zilma de Oliveira nunca havia pensado em construir pontes — até que decidiu construir a própria.

“Eu vinha pra cá com marmita e mochila. Passava o dia todo estudando. Isso aqui foi minha casa e minha vida”, conta, com orgulho.

Kellen Cristina, que era professora e costureira, viu no curso a chance de recomeçar. “Eu queria algo diferente. Queria me desafiar, ter um futuro melhor. Hoje, eu acredito em mim.”

Para Lucas Costa Silva, secretário de Emprego e Renda de Paracambi, a iniciativa muda mais do que currículos. “Essas mulheres estão ocupando um espaço que antes não era delas. E o conhecimento ninguém tira.”

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Foto: Diário do Vale

O que fica depois que a obra passa

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Foto: Diário do Vale

A Nova Serra das Araras ainda levará tempo para ficar pronta. Mas, para quem vive ali, algumas transformações já são definitivas. Profissões novas, autoestima renovada, famílias com renda e crianças vendo novos exemplos dentro de casa.

“A obra vai acabar. Mas essas pessoas vão continuar. Esse é o legado”, afirma Juliano Meirelles, diretor de Finanças e ESG da EGTC.

Entre túneis e viadutos, a Nova Serra das Araras está construindo algo que não aparece nas plantas técnicas: histórias de recomeço.

24 viadutos, três passarelas e segurança

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Foto: Diário do Vale

A Nova Serra das Araras é uma obra estratégica da BR-116, com investimento de R$ 1,5 bilhão, voltada à modernização de um dos trechos mais críticos da rodovia entre Rio de Janeiro e São Paulo. O projeto prevê cerca de 8 km de extensão por sentido, com pistas duplicadas e novo traçado.

A intervenção inclui a construção de 24 viadutos e três passarelas, além de melhorias geométricas que aumentam a segurança viária e a fluidez do tráfego. Durante a execução, a obra gera aproximadamente 5 mil empregos diretos e indiretos, com impacto relevante na economia regional.

Além dos ganhos logísticos, a Nova Serra das Araras incorpora soluções de engenharia e medidas ambientais para reduzir riscos, acidentes e congestionamentos históricos, consolidando-se como um marco em infraestrutura e mobilidade no país.

A Nova Serra das Araras

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Foto: Diário do Vale

Uma das maiores obras rodoviárias do Brasil

Investimento bilionário em infraestrutura

Previsão de conclusão: 2027

Cerca de 5 mil empregos diretos e indiretos

Novos túneis, viadutos e pistas

Integração entre RJ e SP

Engenharia com foco social e humano

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Mayra Gomes

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