Tribunal do Júri de Barra Mansa condena autor de homicídio brutal

Lorenzo Eduardo tinha 19 anos e trabalhava desde os 15 (Foto: Arquivo Pessoal)

Barra Mansa – O Tribunal do Juri da 1ª Vara Criminal de Barra Mansa condenou a 22 anos de prisão, nesta quarta-feira (5), o acusado de matar o jovem Lorenzo Eduardo Terra, em março de 2023.  O crime aconteceu no bairro Nova Esperança, onde Lorenzo – à época com 19 anos – foi encontrado morto a golpes de martelo dentro de sua casa. Seu primo foi apontado como autor do homicídio.

Em novembro de 2023, em entrevista ao DIÁRIO DO VALE, o pai de Lorenzo, Milton Avelino, disse que o filho acumulava as profissões de técnico em administração de empresas, torneiro mecânico, eletricista industrial e soldador. O jovem trabalhava por conta própria desde os 15 anos de idade e gostava de ir à igreja.

Em nota, a família de Lorenzo demonstrou alívio com a sentença expedida pela Justiça. “Hoje nós podemos respirar um pouco mais. O responsável pelo assassinato do nosso Lorenzo — seu próprio primo, alguém em quem ele confiava, foi condenado. Foram 22 anos de prisão. Não é a reparação da dor, porque nada traz de volta o nosso menino, mas foi justiça. E nós agradecemos a Deus por isso”, diz o texto.

A família destacou ainda que, conforme comprovado no julgamento, Franklin Damásio do Espírito Santo, acusado do crime, devia uma alta quantia de dinheiro a Lorenzo. E, no dia do assassinato, disse que havia “ganhado um milhão na loteria” e que iria pagar a dívida. “Lorenzo acreditou — porque ele tinha bom coração, porque ele confiava, porque jamais imaginaria que alguém tão próximo pudesse fazer o que fez. Mas, ao invés de pagar a dívida, ele tirou a vida do Lorenzo, de forma brutal, sem chance de defesa”.

Segundo os autos do processo, ainda de acordo com a família, os golpes dados por Franklin foram direcionados à cabeça.

“Depois, trancou Lorenzo no escritório, quebrando a chave pelo lado de dentro, impossibilitando qualquer tentativa de saída ou socorro. Lorenzo agonizou, sozinho, sem ajuda, sem reação possível. Depois disso, ainda conforme foi apresentado no processo, ele usou o celular do Lorenzo para mandar mensagens para familiares, tentando encobrir o crime e fazê-los acreditar que ele estava bem. Foram mentiras construídas desde o início e sustentadas até o último momento no tribunal”, afirmam os familiares, salientando que, durante o julgamento, a frieza de Franklin impressionou a todos.

“Não houve remorso, nem arrependimento, nem reação — nem quando ouviu a própria condenação. Mas a verdade venceu. Os promotores, nossos advogados e todos que lutaram ao lado da nossa família foram firmes, humanos e corajosos. A justiça foi feita. A pena foi pequena mas é falha da legislação, não do juiz. E aqui, diante de tudo isso, o nosso coração se volta à gratidão: A todos que oram, jejuaram, intercederam, nos abraçaram, carregaram essa dor conosco… A todos que se colocaram diante de Deus pedindo justiça… Que Ele abençoe cada um de vocês”.

Um pedido de justiça para todos

Familiares e amigos do jovem Lorenzo lançaram um abaixo-assinado pedindo o fim da progressão de pena em crimes considerados bárbaros. O movimento argumenta que esse benefício, previsto na legislação atual, permite que condenados por assassinatos cruéis deixem a prisão antes de cumprir a pena total, o que, segundo os organizadores, representa uma afronta à memória das vítimas e à segurança da sociedade. O caso de Lorenzo é usado como exemplo da necessidade de mudanças na lei penal brasileira.

O abaixo-assinado também cita outros crimes de grande repercussão no país e na América Latina para reforçar a importância da proposta. O grupo apoia o Projeto de Lei 1112/2023, que tramita no Congresso Nacional e propõe o fim da progressão de pena em crimes bárbaros. A iniciativa busca pressionar deputados e senadores a votarem a medida com urgência. A petição pode ser assinada no link: https://www.change.org/p/pelo-fim-da-progressão-de-pena-em-crimes-brutais-justiça-por-lorenzo-e-todas-as-vítimas.

Lívia Nascimento

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