Gasto público ultrapassa R$ 3,6 trilhões em 2025 e preocupa especialistas

Foto: Divulgação

País – O gasto público no Brasil ultrapassou R$ 3,6 trilhões em 2025, segundo dados da plataforma Gasto Brasil, desenvolvida pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) em parceria com a Associação Comercial e Empresarial de São Paulo. O montante evidencia o aumento das despesas da União, estados, municípios e do Distrito Federal, em um cenário em que Executivo e Legislativo têm recorrido a manobras para flexibilizar o arcabouço fiscal.

Na última terça-feira (9), o Congresso promulgou a PEC dos Precatórios, que retira essas despesas do teto de gastos a partir de 2026. Paralelamente, tramita na Câmara um projeto que exclui os recursos do Fundo Social do Pré-Sal — destinados a saúde e educação — das limitações do novo regime fiscal. A medida poderia injetar até R$ 1,5 bilhão ao ano nessas áreas sem impacto direto nas metas.

Ferramenta de transparência e cobrança

A plataforma Gasto Brasil tem como objetivo ampliar a transparência das contas públicas, permitindo que qualquer cidadão acompanhe os valores aplicados pelo poder público.

Para Josinaldo dos Santos, presidente da Associação Comercial de Santana do Ipanema (AL), a ferramenta é também um instrumento de cobrança social:

“É importante que a população tenha acesso a esses números, porque o recurso público nasce no setor produtivo. Precisamos de publicidade e controle para frear o inchaço da máquina. Só em 2025, está previsto um crescimento de mais de R$ 150 bilhões em supersalários, o que desestimula o investidor e sufoca os pequenos negócios, que são 95% das empresas do país”, afirma.

Segundo Josinaldo, até cidades pequenas já revelam cifras surpreendentes. “Nosso município já gastou R$ 15 bilhões até hoje. A sociedade precisa saber quanto cresce o gasto público em cada esfera e acompanhar de perto essa evolução”, completou.

O impasse do arcabouço

Apesar de medidas pontuais para abrir espaço no orçamento, especialistas alertam que a solução estrutural ainda não foi encontrada. O economista André Galhardo, chefe da Análise Econômica São Paulo, aponta que o governo tem buscado alternativas para retirar despesas da conta, mas sem enfrentar o problema central:

“De fato, o governo tem tido dificuldade para mostrar que está preocupado com a trajetória dos gastos de forma estrutural e não apenas pontual. Precatórios, programas sociais e subsídios acabam sendo empurrados para fora do arcabouço. Isso passa uma mensagem ruim ao mercado e à opinião pública”, avalia.

Para Galhardo, o peso dos precatórios e os pisos constitucionais de saúde e educação tornam o cenário ainda mais complexo. “Não é só populismo, é uma dificuldade real de encaixar tudo dentro de uma regra que não comporta esse volume de despesas. A curto prazo, o governo lança mão de medidas que contrariam o princípio do arcabouço, mas, no médio e longo prazo, será preciso mexer em regras estruturais e colher os frutos da reforma tributária.”

Enquanto empresários defendem mais controle e eficiência para reduzir a máquina pública, governo e Congresso seguem flexibilizando limites para evitar a paralisia de serviços essenciais. O resultado é um alívio imediato, mas com incertezas sobre a sustentabilidade das contas públicas nos próximos anos. Com informações do Brasil 61.

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Agatha Amorim

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